31 de março de 2013

CONSTRUIR A PRÓPRIA CASA - Como resolver problemas na canalização


Todos nós já alguma vez tivemos e sempre viremos a ter problemas na canalização das nossas casas. Pelo menos de uma torneira avariada, do autoclismo a verter para a sanita ou um entupimento no esgoto do lava-mãos ninguém se livra. Todos esses contratempos são de fácil resolução e, normalmente, todos somos capazes de os resolver. O pior são os problemas de maior vulto, como uma rotura num tubo da água que está embutido numa parede, debaixo do chão de ladrilhos ou até entupimentos nos canos de esgoto que não se conseguem solucionar recorrendo aos métodos habituas. Quando isso acontece é necessário recorrer a soluções drásticas, como a quebra de azulejos e mosaicos que, para além de arrelias naturais, significam muito trabalho e prejuízo económico.

Na minha casa no que a canalizações diz respeito já aconteceu de tudo um pouco. De entre os vários problemas que surgiram destaco os seguintes:

1- Já tive uma rotura num tubo de ferro galvanizado (que me deu água pela barba para solucionar).

2 - Já tive uma inundação devido a uma bicha que se rompeu.

3 - E outra derivada do rompimento de um tubo de cobre do esquentador de água.

 4 -Também já tive problemas no sistema de esgotos, onde tive de recorrer à quebra de alguns mosaicos numa segunda casa de banho, para a sua resolução.

O primeiro caso foi o mais difícil de todos. Tratou-se de um tubo que esteve imenso tempo a verter, mas só me apercebi disso quando, inexplicavelmente, a pressão da água começou a diminuir de tal modo que das torneiras já quase não brotava nenhuma água. Para resolver momentaneamente o problema e como a rotura era na tubagem da água fria, mudei a circulação da água para a tubagem da água quente.

Continuava a não notar nada de anormal como, por exemplo, o aparecimento de humidade no chão ou nas paredes. Depois de alguns “testes” cheguei à conclusão de que a rotura deveria centrar-se na casa de banho e teria de ser no chão, dado ser um piso térreo, o que originava a que não se notasse nenhuma fuga. Resolvi fazer um buraco na parede da banheira para espreitar para debaixo da mesma, pois sabia que os tubos passavam por lá. Não era aí e o remédio foi refazer novamente a parede. Felizmente tinha azulejos de reserva e também mosaicos do chão, o que foi ótimo, pois como é sabido as fábricas só fabricam os diversos modelos durante algum tempo, tornando-se muito difícil, mais tarde, encontrar peças iguais. É por isso altamente aconselhável guardar sempre algumas peças, pois poderão mais tarde vir a ser muito úteis.

Eu, logicamente, imaginava que a rotura fosse numa união do tubo e, seguindo esse raciocínio, comecei a abrir um buraco no chão no sítio onde havia uma ramificação da tubagem; tinha chegado à conclusão que não havia outro remédio que não fosse o de escavar nos locais onde, eventualmente, seguindo a mesma lógica, poderia encontrar a rotura. Depois de partir dois ou três mosaicos (eram mosaicos de 20X10) e o cimento do chão, ficaram à vista as uniões da ramificação, mas estas estavam em perfeito estado. Estava para desistir e ir procurar a fuga noutro lado, quando notei uma ligeira humidade no tubo e na camada de cacos que tinham servido de base à camada de betão do pavimento.

às vezes é necessário recorrerà maceta e ao
ponteiro para resolver problemas na canalização.
Decidi continuar na direção da humidade, abrindo um rasgo estreito procurando danificar o menos possível os mosaicos. A humidade ia aumentando e comecei a pensar que teria de abrir o rasgo até ao meio do corredor pois as próximas uniões eram aí, onde os tubos faziam um ângulo reto. Tal não foi necessário pois deparei com a rotura após ter escavado mais 30 ou 40 cm, tendo ficado bastante surpreso pois esta era em pleno tubo onde não existia qualquer emenda. E o mais curioso é que se tratava de um buraco onde cabia o dedo mindinho, não se notando no resto do tubo qualquer anormalidade. Como é que aquele buraco ali apareceu é que eu não consegui descobrir, mas provavelmente tratou-se de um defeito de fabrico, pois esse buraco era único num tubo ainda são, como pude comprovar após ter cortado cerca de 10 cm de tubo (5 cm para cada lado do buraco). Sei que guardei esse bocado de tubo algures, e poderia ser interessante colocar aqui uma foto, mas a verdade é que não o consegui encontrar.

A partir daqui só restava reparar o tubo, o que fiz utilizando um pedaço de cano de plástico preto de 3/4 com cerca de 20 cm. Esse tubo entrava no tubo de1/2 polegada justo e foi só utilizar uma boa cola e enfiar um tubo no outro, entrando primeiro numa ponta e depois na outra, aplicando de seguida duas abraçadeiras  Provavelmente um canalizador iria abrir roscas no tubo utilizando uniões de ferro, mas eu achei que não era necessário esse procedimento, pois apesar de não ser canalizador, já efetuei para mim e para outras pessoas muitas reparações em tubagens antigas e sempre me saí bem.

Depois de repor os mosaicos (mais uma vez faço notar a vantagem de ter peças guardadas de reserva) respirei de alívio; aquela avaria foi bastante arreliadora, mas consegui repará-la sem grandes danos e consequentes despesas, graças ao facto de ter sido eu a construir a casa e de me recordar perfeitamente dos locais onde passam todos os tubos de água e de esgotos.

O segundo caso, apesar de já ter sido há muitos anos, ainda hoje me faz sorrir, perante a minha ingenuidade ou, porque não dizer, a minha estupidez, pois tratou-se simplesmente de uma bicha que adquiri numa loja de chineses por ser mais barata, mas que não se aguentou mais de 24 horas. Por isso, é altamente aconselhável adquirir produtos de qualidade, para não ter problemas. Não quero com isto dizer que os chineses não tenham produtos bons à venda, mas artigos de canalização ou de eletricidade para mim, nunca mais!...

No terceiro caso, que foi a segunda inundação provocada pelo rompimento de um tubo de cobre do esquentador, não me posso acusar de ter adquirido material de baixa qualidade, se tiver em atenção que a marca do esquentador era uma marca de qualidade ou pelo menos tida como isso, mas estas coisas acontecem e o esquentador já tinha alguns anos de serviço. A reparação do tubo com solda própria não foi difícil e o aparelho depois disso ainda trabalhou mais meia dúzia de anos sem problemas.

A lição que fica deste caso é que seria muito conveniente que, quando não se encontra ninguém em casa, a torneira geral de segurança ficasse fechada, mas todos nós sabemos que isso não é muito fácil de pôr em prática numa habitação onde há muita gente, com uns a entrar e outros a sair numa correria constante. No entanto, pelo menos, a torneira de segurança do esquentador é de todo aconselhável que seja fechada quando o mesmo não está a ser utilizado.

No último caso a culpa foi toda minha, pois quando instalei os tubos de esgoto numa casa de banho exterior, na ânsia de gastar o menos possível não utilizei os materiais adequados, como tubos com o devido diâmetro e o resultado disso foi que, depois, tive de gastar muito mais. Neste caso, também não fiz o planeamento correto da canalização dos esgotos uma vez que, na altura, não existia rede pública de esgotos, sendo as águas sujas e os dejetos encaminhados para uma fossa séptica. Quando construí a casa o sítio era algo isolado e pensei que a rede pública de esgotos nunca aí chegaria, não me tendo preocupado em deixar as coisas mais ou menos preparadas para um dia poder fazer à ligação à rede.

Enganei-me, pois os esgotos aparecerem inesperadamente devido a ter vindo a passar no local uma conduta vinda de uma aldeia das redondezas. Esse facto, apesar de me obrigar a uma grande despesa, veio a resolver muitos dos meus problemas, pois as fossas, passados cerca de dez anos deixaram de dar resposta satisfatória e tive de recorrer à aventura e usar alguns estratagemas, que roçavam a ilegalidade e que me traziam pouco descansado (creio que isso dará matéria para um próximo post).

Também nesta casa de banho tive necessidade de quebrar dois mosaicos do chão para fazer uma nova ligação à pequena caixa de limpeza sinfonada em pvc, tendo valido o facto de também aqui ter material de reserva. Aliás, tenho guardadas várias peças de todos os modelos de mosaicos e azulejos da habitação para fazer face a possíveis eventualidades.

De tudo isto resultou a aquisição de aprendizagens que me disseram que as canalizações de uma casa (água e esgotos) devem ser instaladas obedecendo a normas de qualidade e segurança severas de modo a evitar problemas futuros. No meu caso e uma vez que fui eu que realizei todos os trabalhos apenas me posso queixar da minha própria inexperiência, mas que aprendi com os erros, aprendi. Costuma dizer-se que quando acabamos a casa é que a devíamos estar a começar, precisamente porque sempre se cometem erros, mas a minha aprendizagem alcançada com os meus próprios erros, para mim já não vai servir de muito, porque não conto fazer mais nenhuma casa, mas posso sempre tentar ajudar quem ainda não passou por essas experiências.    

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