4 de novembro de 2012

PLANTAR ÁRVORES DE FRUTO


O pomar, na altura da floração.
Tenho um pomar com árvores de fruto das mais variadas espécies. Fiz a sua plantação há cerca de dez anos e de então para cá nunca mais tive falta de fruta em casa. Nele colho maçãs reluzentes, peras sumarentas e saborosas; os pessegueiros dão frutos deliciosos durante quase todo o ano e dos ramos das laranjeiras oscilam, movidas pela suave brisa vinda da serra, enormes laranjas de um amarelo vivo que se desfazem em doce sumo, mal se lhe tira a fina casca. Até os kiwis se adaptaram à terra e ao clima, crescem e multiplicam-se como se estivessem à beira do Mediterrâneo. E as ameixas… brancas ou vermelhas são macias como veludo e doces como o mel… e as cerejas… ah!... As cerejas parecem os olhos escuros de deusas gregas, brilhando no crepúsculo da madrugada…

Foi assim que eu idealizei o meu pomar, ou melhor era assim que eu gostaria que ele fosse, mas para isso era necessário que o merecesse, que tivesse recolhido informação sobre como fazer a plantação, antes de a fazer, para não cometer erros, que podasse e fizesse os tratamentos necessários e exatos. Que estrumasse a terra; que regasse… que protegesse as árvores dos ventos fortes. Enfim… que trabalhasse um pouco mais…

Quando plantei o meu pomar não tinha experiência prática alguma e mesmo os conhecimentos teóricos sobre o assunto eram muito reduzidos. Para começar deveria ter adquirido árvores de boa qualidade, num viveirista de confiança e não no mercado, como fiz. O resultado disso foi que, das vinte árvores que comprei inicialmente, cerca de meia dúzia não eram exatamente das espécies que eu queria e pedira ao vendedor, produzindo frutos com pouca qualidade e algumas mesmo sendo tratadas, esses frutos caem para o chão, podres, ainda antes mesmo de amadurecerem. Estão neste caso quatro pessegueiros que, apesar de se carregarem de frutos, poucos dão para aproveitar.

Os pessegueiros produzem muito, mas muitos frutos não se conseguem aproveitar.
O resultado de tudo isto é que tenho vindo a ser obrigado a substituir algumas das primitivas árvores por outras, supostamente de melhor qualidade, para que possa acalentar a esperança de ainda vir a ter um pomar que possa aliviar as despesas com a compra de fruta.

Arrisco-me a dizer que nunca ninguém conseguirá ser autossuficiente em fruta durante todo o ano, pois esta, a não ser que lhe sejam injetados produtos para a sua conservação, é muito difícil de manter sã durante muitos dias, de nada adiantando ter uma boa colheita de fruta, se ela se deteriorar muito rapidamente e a não ser quer se consiga vender de imediato, o seu destino será voltar para a terra para servir de estrume, ou então utilizar uma alternativa bem melhor e mais social, que será distribui-la pelos vizinhos e amigos.

Foi a pensar numa ilusória autossuficiência em fruta, que solicitei ao vendedor árvores de diversas espécies e, dentro das espécies da mesma família, fruteiras que produzissem variedades diferentes e cuja colheita se fizesse espaçadamente, de modo a alargar as possibilidades de ter fruta ao longo de todo o ano.

Assim, comprei inicialmente cinco pessegueiros que, conforme solicitei ao vendedor, desejaria que fossem de espécies diferentes, de modo a que dessem o seu fruto em épocas diferentes do ano, mas desses cinco só um, por sinal o de melhor qualidade, é que dá fruta mais cedo, em Junho, os outros dão os seus frutos todos ao mesmo tempo, durante o mês de Agosto, o que, mesmo que eles fossem colhidos em estado são, o que não acontece com a maioria, não serviria de muito em termos de autossuficiência ter uma grande quantidade, que não estaria em condições de consumo durante muito tempo (menos de um mês).

Com as ameixieiras acontece praticamente o mesmo. Das cinco que adquiri só uma, que por azar já secou entretanto, é que dava frutos mais tarde, as restantes quatro, embora todas elas produzam variedades de ameixas diferentes, amadurecem simultaneamente e tal como os pêssegos, não são conserváveis durante muito tempo. De qualquer maneira é possível ter ameixas para comer durante algum tempo, se não se colherem demasiado maduras e se forem guardadas no frigorífico. Também existe a possibilidade, para quem tiver tempo e jeito para isso, de com as ameixas fabricar produtos para ir consumindo mais tarde como doces, bolos ou fazer a secagem das ameixas. As ameixieiras têm ainda a vantagem de não necessitarem de grandes tratamentos (eu nunca tratei as minhas), embora, às vezes, algumas ameixas brancas, apareçam um pouco bichadas. 

Adquiri ameixieiras de várias espécies.
Os frutos das macieiras e das pereiras, conserva-se durante um pouco mais de tempo (mais as maçãs do que as peras) e por isso optei por apostar mais nestas espécies, estando a fazer a plantação de macieiras em substituição de alguns pessegueiros que considero de pior qualidade. Estas árvores necessitam de ser pulverizadas vastas vezes com produtos apropriados e isso, para quem é iniciante ou percebe pouco do assunto, pode ser um problema um pouco complicado, que passa logo por saber quais os tratamentos a aplicar e as alturas em que devem ser feitos. Normalmente aconselhamo-nos na loja sobre o produto que devemos adquirir para o efeito, mas na maior parte das vezes quem está a vender esses produtos ainda percebe menos do assunto do que nós e “receita-nos” aquilo que tem e que está habituado a vender, o que pode não ser exatamente aquilo que precisamos.

A poda das árvores é outro “bicho de sete cabeças” para quem se aventura na criação de um pomar e o caso não é para menos, pois para cada arvore é preciso saber quais os ramos que se devem cortar, qual a altura para o fazer e o modo de o fazer, devendo ter-se em atenção que algumas árvores não devem ser podadas em demasia (caso dos pessegueiros), sob pena de nesse ano produzirem pouco e outras quase não necessitam de poda (como as laranjeiras).

Tenho vindo a substituir alguns
pessegueiros por macieiras.
Mas eu não quero estar a entrar em assuntos demasiado técnicos, como o tratamento ou a poda das árvores, quero simplesmente partilhar as aprendizagens pessoais que obtive, a maior parte das quais com os erros cometidos, desde que resolvi aventurar-me a plantar um pequeno pomar com cerca de 400 m2 de área e que se destina a produzir fruta apenas para consumo próprio. Por muitos livros, revistas ou mesmo artigos na Internet que consultemos sobre o assunto, a realidade pode, por vezes, ser um pouco diferente. Por isso, os conselhos que dou a quem quiser levar em frente um projeto idêntico são os seguintes:

Adquirir árvores de boa qualidade, de preferência a um vendedor que dê alguma garantia ao produto.

Escolher árvores que se adaptem ao tipo de terreno. Por exemplo, plantar laranjeiras em local frio e desabrigado, não é uma boa opção, pois arrisca-se a que elas não vinguem, gastando dinheiro em vão. Aconteceu isso comigo, pois apesar de ter plantado meia dúzia de laranjeiras, apenas uma sobreviveu.
Dentro das características do terreno, optar por árvores de espécies diferentes em que o amadurecimento dos frutos ocorra em épocas distintas de modo a estender a colheita ao longo do ano, garantindo assim alguma autossuficiência em fruta.

Optar pela plantação de macieiras, pois para além destas produzirem uma ótima fruta, as maçãs conservam-se durante muito tempo, se tiver algum cuidado com o seu armazenamento. Devem ser guardadas apenas as que estiverem sãs e em local fresco e arejado.

As laranjeiras, se o terreno for abrigado, também são uma boa opção, pois as laranjas conservam-se maduras na árvore durante muito tempo. (este ano, em Agosto, apanhei laranjas em bom estado de uma laranjeira de um vizinho).

Para quem gostar de dióspiros, um ou dois diospireiros permitem que se consiga colher fruta numa altura em que ela começa a escassear (Outono). Não dão para armazenar, mas os frutos amadurecem aos poucos e por isso vão-se colhendo também dessa maneira. Acredito que não necessitem de tratamentos químicos, pois tenho um que todos os anos carrega frutos sãos e nunca levou qualquer tratamento.

Se o local do pomar for muito ventoso, as árvores até estarem perfeitamente enraizadas devem ficar amarradas a uma boa estaca, para que não oscilem com o vento. No meu terreno plantei uma sebe de lauros (laurus nobilis) para que, entre outras finalidades, ela sirva de barreira de modo a proteger as árvores, pois estas, mesmo depois de adultas, sofrem com as rajadas fortes de vento.

As árvores não devem ser plantadas muito próximo umas das outras, pois algumas delas depois de crescidas ocupam uma área muito grande o que faz com que as copas se colem umas às outras. Isso pode ser um inconveniente que será ainda maior se quiser utilizar o terreno para sementeiras, pois este assim fica demasiado sombreado.

Devem-se fazer os tratamentos necessários e adequados; por exemplo, as macieiras e pereiras são atacadas por algumas pragas, sendo o pedrado a mais frequente. Nos pessegueiros a doença mais vulgar é a lepra do pessegueiro, mas estas e outras árvores são atacadas por muitas outras maleitas, por isso deveremos estar atentos e informados convenientemente sobre os tratamentos a efetuar.

Resumindo… um pomar tal como eu descrevi no início do texto só será possível com uma dedicação muito grande, pois a maior parte das árvores de fruto exigem muito trabalho e dispêndio de tempo, o que nem sempre está ao alcance de quem se dedica a muitas outras atividades, mas a satisfação de colher e consumir a fruta por nós criada, é bem recompensador e mesmo que o seu aspeto, por vezes, não seja tão atraente como o da fruta comprada por não levar tantos tratamentos químicos, o seu sabor será duplamente melhor.   


7 comentários :

  1. Estou a comecar a projetar o meu pomar e agradeco este post, muito ilucidadivo. Obrigado. NP

    ResponderExcluir
  2. Uma familia de manaus esta estar se preparando para cultivar poderiamos trocar conhecimentos atravez do face,0ande solicitação de amizade para"ecione davila" voçê irá falar com Sr heric monteiro.

    ResponderExcluir


  3. A sua explicação é extremamente importante. Passei por uma experiência idêntica com diversas arvores frutifloras e na altura tinha ganho muito tempo e dinheiro se alguém me tivesse dado estes concelhos.
    Obrigado na mesma.

    ResponderExcluir
  4. Agradeço estas dicas, pois são-me muito importantes devido à minha inexperiência sobre o assnto. Obrigado Milú

    ResponderExcluir
  5. Olá. Muitos Parabéns pelo blog, é sem dúvida uma grande ajuda para interessados na matéria como eu!
    Moro numa aldeia, tenho um terreno grande à volta da minha casa e tenho para já uma filha pequena à qual gosto de passar valores, como os ensinamentos do meio rural. Ela acompanha-me nas idas ao galinheiro, nas sementeiras e no jardim.
    Antes de mais, e já que é um sonho meu colher fruta boa sem sair de casa, está na hora de plantar um pequeno pomar.
    Estou neste momento a iniciar um mini pomar e claro, tenho realmente muitas dúvidas!
    Gostaria de pedir-lhe alguns conselhos, caso possível.
    Pode ler aqui as minhas dúvidas:
    http://veludarte.blogspot.com/2014/04/projecto-mini-pomar-precioso-de-ajuda.html
    Muito obrigado.
    Neuza

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Neuza. Obrigado pelo comentário.
      Vou ler as suas dúvidas e estarei pronto para ajudar, se puder e souber.
      Os meus cumprimentos.

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...