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AS PONTES DE MADEIRA SOBRE O RIO MONDEGO

No século passado existiram em Coimbra algumas pontes de madeira que serviam para a travessia de peões entre as duas margens do rio Mondego. Apesar de serem construções rudimentares tinham a sua importância, numa época em que ainda se faziam deslocações a pé para o trabalho, para ir a feiras, ou por outros motivos. Eram pontes que permitiam encurtar distâncias, numa altura em que o automóvel ainda não estava ao alcance de muitos.

As pontes de madeira que atravessavam o rio Mondego, na zona de Coimbra, fazem parte do imaginário da cidade e de um rio que no verão deixava parte do areal a descoberto. Esse carácter estival do rio, que contrastava com fúrias súbitas no inverno, originou a alcunha de “Basófias” e inspirou a criação de poemas, como esta quadra de António Nobre.

PORTOS DO MONDEGO


Quadro representando a zona de Santa Clara e o rio,
onde outrora existia intensa navegação.
O Mondego foi, desde tempos imemoriais, uma importante via de comunicação. Já Estrabão falava do movimento dos seus barcos e Edrisi referia que um viajante que quisesse seguir de Coimbra para Santiago de Compostela deveria deslocar-se até Montemor-o-Velho e aí tomar o navio que o levasse ao seu destino. Com efeito, na Idade Média, Coimbra, Montemor e Soure eram portos interiores onde com facilidade chegavam os barcos mercantis de alto mar, de árabes e normandos. No tempo do nosso primeiro rei ainda atracavam a Coimbra navios de pequeno calado.

PONTES DO MONDEGO


Praia fluvial de Palheiros e Zorro.

A praia de Palheiros e Zorro, situada na freguesia de Torres do Mondego – Coimbra, tem uma nova ponte pedonal. Esta ponte, construída em madeira, foi inaugurada em 30 de Junho de 2012 e veio substituir a antiga travessia que se encontrava bastante degradada e que era uma construção bastante tosca, com a estrutura em madeira de eucalipto.

BARCA SERRANA JÁ NAVEGA EM PENACOVA

A Barca Serrana de Penacova, ancorada  a cerca de 500 metros a jusante da ponte.

No artigo anterior “Barcos do Mondego”, mencionei que estava uma nova barca em construção pela empresa PMHR de Paulo Rodrigues, destinada a navegar no rio na zona de Penacova. Essa embarcação foi entretanto concluída e já se encontra desde Abril a efectuar passeios turísticos no rio entre a praia do Reconquinho e a Pista de Pesca em Vila Nova, numa extensão de cerca de cinco quilómetros.

BARCOS DO MONDEGO

Fui pela primeira vez à serra da Estrela, numa excursão, já lá vão umas dezenas de anos, por alturas da primavera para aproveitar a existência de neve na serra.

No percurso de regresso passámos pelas Penhas Douradas, estando anunciada uma paragem na nascente do rio Mondego. Eu estava muito entusiasmado com essa visita, pois sendo o Mondego o maior rio inteiramente português, imaginava a sua nascente provavelmente como uma enorme cratera na montanha, de onde sairia em turbilhão uma grande quantidade de água, que formaria gigantescas ondas de espuma, antes de começar a deslizar livre e serena por entre margens distantes…

O autocarro descia devagar pela estrada da montanha, quando se ouviu a voz do responsável pela excursão a dizer:

- Chegámos à nascente do Mondego. Vamos parar e sair por um bocado!

Velho Barco, Abandonado...

Paul de Arzila
O Paul de Arzila é uma importante zona húmida do país, que se situa na margem esquerda do Rio Mondego, num área de 535 hectares, distribuídas pelos concelhos de Coimbra, Condeixa-a-Nova e Montemor-o-Velho.

HISTÓRIAS DO MONDEGO


Esta quadra de António Nobre, foi certamente inspirada pelo rio num dia de verão em finais do século XIX, quando este ficava reduzido a um pequeno curso de água e grande parte do seu areal ficava a descoberto. Essa imagem do rio ainda permaneceu durante muito tempo, em Coimbra, e eu recordo-me muito bem dela, recordação que ficou dos anos 60, quando trabalhava na Casa de Saúde de Coimbra e diariamente atravessava o rio utilizando uma estreita ponte de madeira que existia para as bandas onde foi construído o Açude-Ponte.

PONTES QUE ATRAVESSAM GERAÇÕES

Na praia fluvial de Torres do Mondego existe uma ponte de madeira que serve para as pessoas que se dirigem ao local pela margem direita do rio, o atravessem, porque a praia fica do outro lado. Esta estrutura faz-me lembrar as antigas pontes de madeira sobre o rio Mondego, de que já aqui falei num artigo anterior. No verão passado fui até lá e captei algumas imagens dessa ponte, precisamente pela semelhança com uma que eu utilizava quando era criança, que existia perto do Choupal. No passado domingo dei uma volta para aqueles lados e passei por lá para ver como estavam as coisas. Não esperava encontrar a ponte, pois imaginava que teria sido desmontada no fim do verão, à semelhança do que acontecia com as de outros tempos, pois devido ao aumento do caudal do rio não aguentariam a corrente.