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Construção de uma picota para elevação de água



O shadoof ou shaduf é uma ferramenta usada na irrigação desde cerca de há 3000 anos aC na Mesopotâmia, há cerca de 2000 anos aC no antigo Egipto e mais tarde (1600 anos aC) na China e em muitos outros países, incluindo Portugal.
  

Elevador movido a água


O elevador do Bom Jesus de Braga é uma jóia da engenharia ecológica e foi,
em 23 de Maio de 2013, considerado Monumento de Interesse Público.

Em Braga, mais precisamente no Santuário do Bom Jesus do Monte, existe um elevador cuja locomoção é feita com água. Esse facto projeta este equipamento muito para além da sua finalidade de transportar pessoas pela encosta de um monte. A sua engenharia ecológica casa-se perfeitamente com o ambiente do local e por isso o elevador é alvo da curiosidade e simpatia de todas as pessoas que visitam o santuário, entre peregrinos, devotos e, principalmente, turistas. São sobretudo estrangeiros no inverno, mas também muitos portugueses no verão. Durante um ano são vendidos mais de doze mil bilhetes mensais, registando-se em alguns domingos cerca de dois mil passageiros.

Gigantes na Paisagem

Na zona centro de Portugal existem imensos moinhos. Alguns foram recuperados, mas já poucos funcionam. O certo é que continuam a fazer parte da paisagem, fazendo recordar outros tempos em que os ventos inconstantes das serras e outeiros eram sopros doces, abençoados...

Moinho de vento da Serra de Janeanes, na zona do Rabaçal. Terras de Sicó.

AÇUDES, CANAIS DE REGA E MOINHOS DE ÁGUA

Esta é a nascente de um pequeno rio que tem, ao longo dos quarenta
quilómetros do seu percurso, várias dezenas de moinhos e lagares. A sua
água é logo aqui aproveitada para o funcionamento de um lagar.

É impressionante o número de açudes que outrora foram construídos nos pequenos rios. Há cursos de água onde eles chegam a ser, em média, na ordem de um por quilómetro, ou perto disso. Um açude, que também é conhecido como represa, pode servir para regularizar caudais ou abastecer povoações, mas, nos rios mais pequenos ou ribeiros, eles foram construídos sobretudo com a finalidade de elevar a água, permitindo assim criar uma levada ou um canal por onde, através de uma comporta, se controla a quantidade de água que entra nessa levada e que segue, durante algumas dezenas ou centenas de metros, numa cota um pouco superior ao terreno, o que permite através de portinholas colocadas ao longo da levada fazer sair a água necessária para efetuar regas por gravidade, ou seja, fazer circular a água por regos e pelas culturas.

Antigos instrumentos de elevação de água

Os instrumentos de elevação de água que vou mostrar neste post, apesar de serem na sua maioria de origem muito antiga, são quase todos do meu conhecimento pessoal, tendo operado ou pelos menos visto em funcionamento a maior parte deles. São instrumentos que funcionavam através da força humana ou animal, à exceção da bomba eólica, da roda de água e da bomba solar, sendo esta última a de origem mais recente. De resto, estes instrumentos que começam no cabaço e terminam na bomba solar, passando por sistemas que apesar de manuais demonstram na sua composição um respeitável trabalho de engenharia mecânica, refletem a evolução havida nestes sistemas, evolução que é comum, afinal, a todos os instrumentos de trabalho e a tudo o que nos rodeia.

Bombas de poço antigas, de volante

Bomba de volante


Hoje em dia a extração de água de poços é feita, sobretudo, com recurso a bombas elétricas, no entanto existem algumas daquelas bombas antigas de funcionamento manual que ainda trabalham, como esta da foto, que está montada num poço junto ao qual foi instalado um parque de merendas, servindo a bomba para tirar água do poço para uso dos utilizadores do parque.

RELÍQUIAS DO PASSADO À BEIRA DAS ESTRADAS

Não é difícil encontrar junto às estradas, máquinas antigas de diversos tipos, como gruas, máquinas de construção de estradas, autocarros, máquinas agrícolas, betoneiras, etc. São autênticas peças de museu que são colocadas pelos seus proprietários junto a vias públicas para poderem ser admiradas por quem passa. Todas essas máquinas têm um passado altamente dignificante já que foram utilizadas para trabalhar e produzir riqueza. Agora que já não têm "idade" para continuar ao serviço continuam mesmo assim a cumprir uma missão importante, neste caso uma missão didática já que através delas é possível aos mais novos ilustrar os conhecimentos que porventura adquiriram sobre as áreas de trabalho efetuados por essas máquinas ou, no caso dos mais velhos recordar o passado que elas representam.



MOINHOS DE VENTO EM LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

Relato de uma passagem de Miguel Torga pela região do Rabaçal:


“O esqueleto de um moinho de vento a entristecer ainda mais esta paisagem desolada de paredes ressoantes, olivais mirrados e carrasqueiras agressivas. As rodas de pedra em que assentava todo o engenho, que assim podia ser adaptado a qualquer aragem, o ciclópico vigamento de carvalho que as unia, e as duas mós, suspensas no vazio, coladas uma à outra como maxilas defuntas. As velas voaram, o grão deixou de cair da moega, a fome mudou de rumo e da fábrica alada ficou apenas, à margem da estrada da vida, uma caricatura espectral. E é junto dela que penso noutros moinhos, que em vez do pão do corpo moeram pão do espírito, e de que só restam também carcaças semelhantes. Moinhos que, como este, tiveram destino, mas não tiveram futuro.”

Rabaçal, 4 de Março de 1973.  Miguel Torga Diário XI.

SISTEMAS PRIMITIVOS DE NAVEGAÇÃO NO MONDEGO

Não se pode falar em sistemas de navegação no rio Mondego sem citar a barca serrana que é, de todos, o mais conhecido, não só por ter sido um meio de transporte fluvial de mercadorias muito importante, mas também porque ultimamente muito se tem feito para que a sua memória perdure, como é o caso da construção de novas barcas destinadas a efetuar pequenas viagens turísticas no rio, nas zonas de Penacova e Coimbra e também a exposição de exemplares em sítios onde podem ser apreciadas livremente, como é o caso de uma barca que se encontra exposta numa rotunda em Penacova e outra no Museu de Marinha, em Lisboa.

Barca Serrana em Penacova.
Já falei da barca serrana em artigos anteriores, mas este modelo de embarcação não era o único existente no Mondego e, neste artigo, vou referir esse e outros sistemas de navegação que outrora sulcavam as águas do maior rio inteiramente português.

Barca Serrana
De origem mesopotâmica e da família dos moliceiros, a barca serrana caracterizava-se pelos seus dois bicos em ponta levantada, de fundo chato e de cor negra contrastando com a vela branca, com um comprimento de 17 a 24 metros, por 2 metros e 40 cm de largura.

OS MOINHOS DE VENTO DE POUSAFLORES

Serra da Portela, Pousaflores. Aqui o passado e o presente estão lado a lado.

No alto da Serra da Portela, próximo de Pousaflores, concelho de Ansião, existiu em tempos um importante núcleo de moinhos de vento.

A EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE REPRODUÇÃO DE DOCUMENTOS

Todos os equipamentos de trabalho, sejam profissionais ou domésticos, sofreram nos últimos 50 anos uma grande evolução no sentido não só de uma maior produtividade, mas também da melhoria das condições de trabalho: produzir mais com menor esforço. Muitos novos equipamentos foram também surgindo com a mesma finalidade e quem tem já um percurso de trabalho com algumas dezenas de anos sabe bem que agora não é necessário tanto esforço para efetuar o mesmo trabalho que fazia em tempos mais recuados. Nós que já temos alguma idade e experiência por vezes queixamo-nos, mas sabemos bem que as coisas são assim.

No entanto, há sempre um reverso da medalha e toda esta evolução tem o grande inconveniente da redução da mão de obra necessária para levar a cabo a execução de muitos trabalhos. Estou a lembrar-me, por exemplo, do trabalho de abertura de estradas e como agora se constroem grandes vias recorrendo a um número relativamente reduzido de trabalhadores, que contrasta com a enorme dimensão dos trabalhos e tudo isso graças ao uso de equipamentos e máquinas pesadas de elevada tecnologia.

MÁQUINAS DE CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS

Em 1920, o brasileiro Washington Luís, fez da frase “governar é abrir estradas” o lema da sua campanha para governador do Estado de S. Paulo. A prioridade de seu governo era o povoamento do interior do estado, mas não se povoa sem se abrirem estradas, e de todas as espécies; governar era, portanto, fazer estradas!

Governar não era apenas isso, mas essa seria, certamente, uma das grandes prioridades dos governos em todo o mundo, em favor do desenvolvimento das regiões que viriam a ser servidas por essas estradas.
Construção da primeira estrada em macadame, nos Estados Unidos da América (1823).
Pintura de Carl Rakeman. (Wikipédia)

MOINHOS DE ÁGUA

Pequeno vídeo mostrando o funcionamento do moinho

É impressionante a quantidade de moinhos para moagem de cereais que existiram outrora nas zonas rurais. Eram movidos pela força da água ou do vento e ainda é possível encontrar alguns a funcionar e a transformar grãos de trigo ou de milho em farinha, como um moinho de vento na zona de Penacova de que já falei no blogue em “Velas ao Vento”, e onde podem ser visualizados dois pequenos vídeos com o moinho em funcionamento.

OS CARROS DE BOIS

Este carro ainda carrega a charrua e a grade utilizadas na lavoura.
Pelas ruas circulavam carros de bois carregados com diversos produtos agrícolas. As suas rodas de ferro e madeira produziam um ruído característico sobre o chão de terra batida, chiando e tinindo a lingueta do seu trinco. O carreiro ia à frente com o aguilhão e a sua voz treinada e obedecida num caminhar lento e calmoso. Carro, animais e homem formavam um conjunto simultaneamente agreste e rude, mas também belo e harmonioso que há várias décadas atrás fazia parte integrante do dia-a-dia de muitas aldeias.

AS GAIVOTAS DE ANSIÃO


Pensava que já sabia muito sobre gaivotas. Afinal, já tinha elevado água para rega com um engenho desses e, para mim, tratava-se apenas de um instrumento rudimentar, ou seja, uma engenhoca tosca que permitia, através do balanço de uma vara apoiada num poste de madeira, cravado no solo, tirar água de um poço, rio ou ribeiro, mergulhando aí um balde, mas não sem que outras águas brotassem da fronte do manobrador do engenho, devido ao esforço dispendido e à rapidez com que era preciso operar, para se tirar algum rendimento do sistema.

VELAS AO VENTO

Moinho do Sr. Lino Branco, em Gavinhos
No distrito de Coimbra existem muitos moinhos de vento, principalmente no concelho de Penacova, onde se podem encontrar importantes núcleos molinológicos em Gavinhos, Portela de Oliveira e Serra da Atalhada.

GAIVOTAS E NORAS DE ALCATRUZES


Finalmente chegou a primavera. É verdade que o tempo continua muito instável, com chuva e frio, a fazer-nos lembrar que ainda estamos longe dos saudosos dias de sol, com temperaturas amenas a fazerem convidar a um contacto mais íntimo com a natureza. O inverno foi duro com muito frio, chuva e vento, que provocaram algumas catástrofes no nosso país, com destaque para o autêntico dilúvio que aconteceu na Madeira e que provocou o desastre que já todos sobejamente conhecemos.

Entretanto, os terrenos continuam saturados de água, o que está a atrasar alguns trabalhos no campo, principalmente a sementeira de batatas temporãs. Seja como for, daqui a algum tempo será necessário iniciar o período de regas e, para isso, tirar da hibernação as bombas eléctricas ou de combustão, ou seja, os nossos motores de rega, que são agora os instrumentos mais utilizados para esse fim.

AS ANTIGAS MÁQUINAS DA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS

O cilindro a vapor depois da intervenção de recuperação.
 Uma bela peça da engenharia inglesa dos anos vinte.
Em Miranda do Corvo, junto ao restaurante “Museu da Chanfana”, propriedade da Fundação Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional, encontram-se algumas máquinas que foram em tempos utilizadas na construção ou reparação de estradas. Estas máquinas, pelo que sei, irão futuramente fazer parte do museu de Miranda do Corvo e foram doadas pela antiga Junta Autónoma de Estradas à ADFP. Trata-se de um cilindro a vapor, duas espalhadoras de alcatrão e ainda um outro cilindro, este em granito que, tal como as máquinas de alcatrão, não tinha tracção própria e era em tempos rebocado por um qualquer veículo ou até por animais. Duas destas máquinas, o cilindro e uma espalhadora de alcatrão, já foram alvo de trabalhos de recuperação efectuados pela Fundação.