O próximo dia 1 de Setembro, nove anos depois do seu encerramento, vai ser o dia da despedida das míticas Escolas da Marinha situadas em Vila
Franca de Xira. Quem por ali passou sabe bem o que essas Escolas significaram
na sua aprendizagem e em toda a sua vida futura e por isso o sentimento geral é
de mágoa pelo seu encerramento que ocorreu já lá vai quase uma década.
Projetos e engenhos caseiros sustentáveis - construção civil - agricultura - histórias de vida.
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Vila Franca de Xira - o dia da despedida
MEMÓRIAS DE UM FILHO DA ESCOLA
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| Este livro com 350 páginas A4, veio reavivar o gosto pela escrita. |
ESCOLAS DA MARINHA – posts intemporais
No
dia 4 de Setembro de 2009, dei neste blog a notícia do encerramento do Grupo nº
1 de Escolas da Armada, que ocorreu alguns dias antes, em 31 de Agosto. Num
post curto lamentei o fecho de uma Escola que fez História durante as várias
dezenas de anos em que ali se formaram homens com ensinamentos baseados num espírito
de coragem, lealdade e fraternidade, ensinamentos que lhes iriam ser úteis não
só para servirem a Marinha, mas também para toda a sua vida, fosse como
militar ou civil.
O fim do Hospital da Marinha
Começa assim um artigo de quatro páginas publicado no nº
477 da Revista da Armada, sobre o Hospital da Marinha:
O Hospital da Marinha, que foi uma referência viva de todos
os marinheiros, já não existe.
Foram 216 anos de bons serviços prestados à Marinha, ao
País, na sua dimensão pluricontinental, e à Medicina Portuguesa, pelo seu
pioneirismo e contributo em vários domínios e prestígio dos seus profissionais.
No final, parafraseando o Padre António Vieira, o Hospital
da Marinha fez o que devia e a Pátria o que é costume: esqueceu-se de lhe
agradecer! Faz agora parte da História.
DE VOLTA À QUINTA DAS TORRES
| Portão das traseiras da Unidade militar, junto ao apeadeiro da Quinta das Torres. |
Já
escrevi vários artigos sobre o Grupo nº 1 de Escolas da Armada, uma Unidade da
Marinha que se encontra desativada há quase quatro anos, precisamente desde 31
de Agosto de 2009. Num desses artigos “Recordar o passado em Vila Franca deXira”, em que fazia o relato de uma visita de nostalgia que fiz ao local, dizia
que “esperava lá voltar um outro dia, antes que aqueles edifícios fossem todos
demolidos, porque, infelizmente, parecia ser esse o seu destino mais provável.
A ENTRADA DO GRUPO Nº 1 DE ESCOLAS DA ARMADA
| O reservatório de água com o nome da Unidade Militar, avistava-se ao longe... |
Antes
do encerramento do Grupo nº 1 de Escolas da Armada, quem se dirigia dos lados
da estação de Vila Franca para a Unidade da Marinha, a algumas centenas de
metros de distância, logo lhe saltava à vista o reservatório de água do
complexo militar que ostentava o nome da Unidade. Acho que aquela estrutura
funcionava quase como que um farol para os alunos marinheiros que tinham sido
alistados mais recentemente, pelo menos para mim era assim. O nome ali inscrito
identificava a Unidade e também fazia transparecer alguma publicidade, pois
naquele sítio estratégico era impossível a alguém que por ali passasse,
inclusivamente na auto-estrada, não desse por ele e não ficasse a saber que
aqueles edifícios faziam parte de uma escola ou de um grupo de escolas que pertencia
à Marinha.
Os voluntários da Marinha
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| Seis anos era o tempo de serviço obrigatório para os voluntários. |
O
dia 14 de Janeiro de 1972 foi, para mim, um dia histórico. Para mim e certamente
também para os restantes cerca de 900 jovens que nesse dia fizeram a sua
incorporação na Armada Portuguesa, assim como também para os muitos milhares
que o fizeram ao longo de muitos anos. Hoje, por ser dia 14 de Janeiro, resolvi
vir falar um pouco sobre esse assunto focando-o, sobretudo, nos voluntários,
porque essa foi também a minha condição.
Da
incorporação de Janeiro de 1972, que era composta por 12 companhias com cerca
de 80 elementos cada, faziam parte quatro companhias de voluntários, cujas
idades variavam entre os 16 e os 18 anos. Nessa época faziam-se quatro
incorporações por ano, o que significa que entravam anualmente mais de 3.000
jovens na Marinha, destinados à classe de praças e dos quais mais de um terço
eram de alistamento voluntário.
A morte da palmeira do Arsenal da Marinha
| Da velhinha palmeira do Arsenal já só resta o tronco. |
O
título deste post pode parecer pouco apelativo. Uma palmeira é apenas uma planta
(as palmeiras não são consideradas árvores porque todas as árvores possuem o
crescimento do diâmetro do seu caule para a formação do tronco, que produz a
madeira e tal não acontece com as palmeiras) - (Fonte: Wikipédia) e por sinal de uma espécie que nos
últimos anos tem estado a ser atacada por uma praga que as está a dizimar de
norte a sul do país (sobretudo no sul). Essa praga é causada pelo escaravelho
das palmeiras "Rhynchophorus Ferrugineus", um insecto que perfura o
tronco das plantas e se alimenta delas no seu interior. Umas das espécies mais
atacadas é a Phoenix canariensis mais conhecida por palmeira das Canárias e
essa é provavelmente a espécie da palmeira de aqui vou falar.
DIA DA MARINHA
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| A chegada a Calecut em 1498, que hoje se celebra.... |
No
dia 20 de Maio de 1498, um domingo, os navios portugueses da Armada de Vasco da
Gama chegavam e fundeavam em frente à cidade de Calecut, contatando finalmente
com a tão desejada Índia. O projeto, que tantos marinheiros empregara ao longo
do século XV, concretizava-se finalmente, e a parte fundamental da missão de
Vasco da Gama estava cumprida.
HOMENAGEM AOS FILHOS DA ESCOLA E GRUPO 1 DE ESCOLAS DA ARMADA
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| Dia de festa na Escola (Foto Revista da Armada) |
As instalações da Marinha em Vila Franca de Xira
foram, durante muitas décadas, um local fervilhante de vida e movimento.
Escutavam-se o rufar dos tambores, as vozes de comando, o som do clarim, o
bater compassado das botas no chão da parada…
Ali chegavam anualmente milhares de jovens vindos de todo
o país. No saco carregavam a sua bagagem, no rosto ansiedade e esperança, mas
também a altivez pelo orgulho de ser marinheiro. Muitos, alguns ainda
adolescentes, vinham voluntariamente para cumprir um sonho; todos para servir a
Marinha e a Pátria.
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| Marinheiros em desfile nas ruas de Vila Franca. A vida e movimento da Escola extravasava para o exterior. Vila Franca perdeu vida e cor com o fim da Unidade militar. Foto Revista da Armada) |
Apesar da sua vocação militar o ensino ali ministrado
incluía e procurava incutir nos jovens altos valores de cidadania, de coragem e
firmeza de carácter, que muito contribuíram não só para o seu engrandecimento
pessoal, mas também para o prestígio da Marinha e do país, que serviram com honra
e orgulho.
É por isso, por toda essa envolvência mística, que
hoje todos aqueles que um dia pisaram aquele chão sentem uma enorme saudade e
carregam nos ombros a tristeza pelo fim daquela Escola, agora abandonada, ainda
com o futuro incerto ou mesmo desconhecido.
Há coisas que marcam o ser humano, essas coisas podem
ser pessoas, factos vivências, locais, edifícios… o Grupo nº 1 de Escolas da Armada,
no qual se incluía a Escola de Alunos Marinheiros, onde os jovens davam os
primeiros passos na sua vida futura de marinheiros e militares da Armada,
deixou uma inegável marca positiva que perdurará eternamente em quem teve o
privilégio de lá ser aluno e também nas gerações vindouras, pois a História se
encarregará de a manter viva. Haverá sempre um descendente que dirá com
orgulho: “ o meu pai, o meu avô ou o meu bisavô foi marinheiro e esteve em Vila
Franca!...”
É essa marca positiva que faz com que todos os filhos
daquela Escola sintam saudade, mas também dor e algum espanto pela incapacidade
dos governantes em saberem preservar aquele espaço e a História que ele
representa.
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| Grupo de antigos marinheiros, autores da homenagem |
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| Flores em homenagem à Escola e aos seus alunos (Fotos de João Faustino e Eduardo Camilo, presentes na cerimónia) |
No passado dia 24 de Março de 2012, um grupo de antigos
marinheiros deslocou-se às instalações do Grupo nº 1 de Escolas da Armada, para
ali, naquele local que durante alguns meses foi a sua casa e a de milhares de
outros jovens, prestarem uma singela mas sentida homenagem a todos os filhos da
escola que ali escreveram uma página do seu percurso de vida, uma página
escrita com intensidade e de forma indelével…
Artigos relacionados:
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AS FARDAS DE TRABALHO DA MARINHA
O MOVIMENTO NACIONAL FEMININO
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| Hospital da Marinha. |
No meu percurso militar estive internado, durante algumas semanas, no Hospital Militar de Coimbra e no Hospital da Marinha. Foi neste último que tive contacto com as senhoras do Movimento Nacional Feminino que ali iam visitar os doentes e ofereciam pequenas prendas, como livros e tabaco. Ainda guardo, desse tempo, um livro e um porta-chaves dourado, decorado com uma pequena caravela que elas me ofereceram.
JURAMENTO DE BANDEIRA DA 1ª INCORPORAÇÃO DE 1972
Já falei neste blogue sobre o 1º Juramento de Bandeira de 1972, num dos artigos que escrevi sobre a Escola de Alunos Marinheiros. Nesse artigo coloquei uma foto que não correspondia exactamente a essa cerimónia, por não ter nenhuma, mas, recentemente, a Revista da Armada disponibilizou no seu site todos os números desde o seu inicio em Julho de 1971, tendo encontrado na Revista nº 9, referente ao mês de Junho de 1972, uma pequena notícia sobre esse Juramento, acompanhada de uma foto do Batalhão em formatura. Essa imagem não engloba todos os elementos que ali estavam perfilados, nem permite distinguir ninguém, no entanto não pude deixar de sentir alguma emoção ao recordar aquele dia e saber que eu fui um dos que ali esteve.
AS OBRAS DE UM MARINHEIRO
A Internet, apesar dos malefícios que se lhe reconhecem é, sem dúvida, um meio muito importante na união e encontro de pessoas e também de aquisição de conhecimentos, que dificilmente seriam possíveis obter se não fosse a sua existência. Graças ao meu blogue já consegui entrar em contacto com alguns antigos colegas do tempo do serviço militar e outros, que embora não tenha conhecido durante esse período, posso agora e apesar de não os conhecer pessoalmente, considerá-los como verdadeiros amigos.
Um desses amigos é o antigo Cabo de Manobra, Eduardo Camilo, que esteve muitos anos ao serviço da Marinha e que conheci graças aos comentários no meu artigo “O Fim do Grupo nº 1 de Escolas da Armada”.
Muitos outros antigos marinheiros por aqui têm passado e deixado bem vincada a sua saudade e a sua mágoa pelo encerramento daquele Unidade da Marinha, alguns deixando o seu contacto na esperança de encontrar antigos camaradas da Marinha, historicamente conhecidos como “Filhos da Escola”.
NRP ÁLVARES CABRAL F336
Camaradas e Amigos, hoje é a última vez que escreverei no blogue, portanto quero deixar aqui o meu agradecimento a todos os que nos quase 3 anos nos visitaram, a quem comentou as postagens e a quem connosco colaborou. A todos o meu Obrigado, todos vocês foram excepcionais. A.Moleiro
OS UNIFORMES DA MARINHA
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| A inconfundível boina do marinheiro |
Há dias fiz uma visita ao meu baú de recordações do tempo do serviço militar. Não é mais do que uma mala antiga onde guardo as minhas fardas de marinheiro e mais algumas (poucas) coisas dessa época que recordo com muita nostalgia e uma grande emoção. Os quatro anos que estive na Marinha foram, talvez, os melhores da minha vida. O serviço militar que iniciei numa fase ainda muito imatura da juventude, teve pelo meio alguns acontecimentos históricos que vivi de muito perto e que tornaram esse período da minha vida muito emotivo mas também muito interessante e que me proporcionou imensas aprendizagens.
A REVOLTA DOS MARINHEIROS DE 1936
Hoje, dia 8 de Setembro de 2010, passam 74 anos sobre a revolta dos marinheiros de 1936.
O objectivo principal da revolta em que estiveram envolvidos os navios “Afonso de Albuquerque” e “Dão” era passar a barra e, uma vez ao largo, fazer ao Governo de Salazar, um ultimato, para que fossem libertados e reintegrados 17 camaradas, punidos após uma expedição do “Afonso de Albuquerque” a Espanha, em Agosto, pouco depois de ali ter eclodido a guerra civil e também a libertação de todos os camaradas que já anteriormente tinham sido expulsos e presos.
FRAGATA D. FERNANDO II E GLÓRIA
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| A fragata D. Fernando II e Glória em Cacilhas |
Não é minha intenção falar da história deste navio, porque não sou a pessoa mais indicada para o fazer e também porque se o fizesse iria apenas repetir o que já consta de muitos e bom sites na Internet o que iria contra umas das finalidades deste blogue, que é a partilha de conhecimentos e informação o mais original possível. Assim, o motivo deste artigo é apenas o de relatar algumas das impressões com que fiquei numa visita que fiz a este navio museu.
O EDIFÍCIO DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DA MARINHA
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| A "Nau de Pedra". Foto da Revista da Armada nº 415 de Janeiro de 2008. |
A Administração Central da Marinha encontra-se instalada na área poente da “Zona Monumental do Terreiro do Paço”, num conjunto de edifícios erigido na sequência do terramoto de 1755 e classificado como Monumento Nacional pelo Decreto do Governo nº 136, de 23 de Junho de 1910.
MARINHA DE GUERRA - CURSO DE ABASTECIMENTO
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| O símbolo da classe de Abastecimento |
Devo confessar que as recordações deste período da minha vida militar não estão tão vivas na memória, quanto as da recruta, talvez porque a partir desta altura se passou a uma fase mais rotineira e teórica do serviço.
Logo no início de Abril surgiu a única situação um pouco diferente, quando fui chamado a fazer parte do Batalhão que foi prestar honras militares ao então Presidente da República, Almirante Américo Tomás, quando este se deslocou ao Brasil, na altura em que foram trasladados para esse país os restos mortais do rei D. Pedro I. Não me recordo de grandes pormenores sobre o acontecimento e julgo que o pessoal que integrou esse Batalhão o terá sido, talvez, pela prática recente de exercícios de Ordem Unida, adquirida na recruta.
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