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Vila Franca de Xira - o dia da despedida


No já longínquo dia 4 de Setembro de 2009, dei neste blog a notícia do encerramento do Grupo nº 1 de Escolas da Armada. Essa notícia foi dada quase em primeira mão na Internet, pois nessa altura ainda não existiam as redes sociais ou ainda eram pouco conhecidas. A interação entre antigos marinheiros que já navegavam na Net era feita através de alguns blogs e, por isso, o post “O fim do Grupo nº 1 de Escolas da Armada” depressa recebeu muitos visitantes e imensos comentários, muitos deles dando conta do desagrado pelo encerramento das Escolas

O próximo dia 1 de Setembro, nove anos depois do seu encerramento, vai ser o dia da despedida das míticas Escolas da Marinha situadas em Vila Franca de Xira. Quem por ali passou sabe bem o que essas Escolas significaram na sua aprendizagem e em toda a sua vida futura e por isso o sentimento geral é de mágoa pelo seu encerramento que ocorreu já lá vai quase uma década.

MEMÓRIAS DE UM FILHO DA ESCOLA


Este livro com 350 páginas A4,
veio reavivar o gosto pela escrita.
Este blog começou quando eu, o seu autor, me encontrava a elaborar o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens, com a finalidade de obter o 12º. Ano escolar através do reconhecimento de competências. Sei que esse método de obter equivalências escolares era muito criticado por alguns setores da sociedade, mas isso a mim nunca me importou nada. Eu, naquela altura já tinha 50 anos e um percurso profissional de 40 anos, bastante variado, já tinha trabalhado como criado, paquete, empregado de escritório, militar, construtor civil, funcionário público… fui, como se costuma dizer, pau para toda a obra e, já que não tinha podido estudar numa escola normal, o diploma que obtive foi mais do que merecido, não só pelo que já sabia, mas também pelo que aprendi com o processo de reconhecimento de competências.

ESCOLAS DA MARINHA – posts intemporais

No dia 4 de Setembro de 2009, dei neste blog a notícia do encerramento do Grupo nº 1 de Escolas da Armada, que ocorreu alguns dias antes, em 31 de Agosto. Num post curto lamentei o fecho de uma Escola que fez História durante as várias dezenas de anos em que ali se formaram homens com ensinamentos baseados num espírito de coragem, lealdade e fraternidade, ensinamentos que lhes iriam ser úteis não só para servirem a Marinha, mas também para toda a sua vida, fosse como militar ou civil.

O fim do Hospital da Marinha


Começa assim um artigo de quatro páginas publicado no nº 477 da Revista da Armada, sobre o Hospital da Marinha:
O Hospital da Marinha, que foi uma referência viva de todos os marinheiros,  já não existe.
Foram 216 anos de bons serviços prestados à Marinha, ao País, na sua dimensão pluricontinental, e à Medicina Portuguesa, pelo seu pioneirismo e contributo em vários domínios e prestígio dos seus profissionais.
No final, parafraseando o Padre António Vieira, o Hospital da Marinha fez o que devia e a Pátria o que é costume: esqueceu-se de lhe agradecer! Faz agora parte da História.

DE VOLTA À QUINTA DAS TORRES


Traseiras do Grupo 1
Portão das traseiras da Unidade militar, junto ao apeadeiro da Quinta das Torres.
Já escrevi vários artigos sobre o Grupo nº 1 de Escolas da Armada, uma Unidade da Marinha que se encontra desativada há quase quatro anos, precisamente desde 31 de Agosto de 2009. Num desses artigos “Recordar o passado em Vila Franca deXira”, em que fazia o relato de uma visita de nostalgia que fiz ao local, dizia que “esperava lá voltar um outro dia, antes que aqueles edifícios fossem todos demolidos, porque, infelizmente, parecia ser esse o seu destino mais provável.

A ENTRADA DO GRUPO Nº 1 DE ESCOLAS DA ARMADA

O reservatório de água com o nome da Unidade Militar, avistava-se ao longe...
Antes do encerramento do Grupo nº 1 de Escolas da Armada, quem se dirigia dos lados da estação de Vila Franca para a Unidade da Marinha, a algumas centenas de metros de distância, logo lhe saltava à vista o reservatório de água do complexo militar que ostentava o nome da Unidade. Acho que aquela estrutura funcionava quase como que um farol para os alunos marinheiros que tinham sido alistados mais recentemente, pelo menos para mim era assim. O nome ali inscrito identificava a Unidade e também fazia transparecer alguma publicidade, pois naquele sítio estratégico era impossível a alguém que por ali passasse, inclusivamente na auto-estrada, não desse por ele e não ficasse a saber que aqueles edifícios faziam parte de uma escola ou de um grupo de escolas que pertencia à Marinha.

Os voluntários da Marinha

Seis anos era o tempo de serviço obrigatório
para os voluntários.

O dia 14 de Janeiro de 1972 foi, para mim, um dia histórico. Para mim e certamente também para os restantes cerca de 900 jovens que nesse dia fizeram a sua incorporação na Armada Portuguesa, assim como também para os muitos milhares que o fizeram ao longo de muitos anos. Hoje, por ser dia 14 de Janeiro, resolvi vir falar um pouco sobre esse assunto focando-o, sobretudo, nos voluntários, porque essa foi também a minha condição.

Da incorporação de Janeiro de 1972, que era composta por 12 companhias com cerca de 80 elementos cada, faziam parte quatro companhias de voluntários, cujas idades variavam entre os 16 e os 18 anos. Nessa época faziam-se quatro incorporações por ano, o que significa que entravam anualmente mais de 3.000 jovens na Marinha, destinados à classe de praças e dos quais mais de um terço eram de alistamento voluntário.

A morte da palmeira do Arsenal da Marinha



Da velhinha palmeira do Arsenal já só resta o tronco.
O título deste post pode parecer pouco apelativo. Uma palmeira é apenas uma planta (as palmeiras não são consideradas árvores porque todas as árvores possuem o crescimento do diâmetro do seu caule para a formação do tronco, que produz a madeira e tal não acontece com as palmeiras) - (Fonte: Wikipédia) e por sinal de uma espécie que nos últimos anos tem estado a ser atacada por uma praga que as está a dizimar de norte a sul do país (sobretudo no sul). Essa praga é causada pelo escaravelho das palmeiras "Rhynchophorus Ferrugineus", um insecto que perfura o tronco das plantas e se alimenta delas no seu interior. Umas das espécies mais atacadas é a Phoenix canariensis mais conhecida por palmeira das Canárias e essa é provavelmente a espécie da palmeira de aqui vou falar.

DIA DA MARINHA


A chegada a Calecut em 1498, que hoje se celebra....

No dia 20 de Maio de 1498, um domingo, os navios portugueses da Armada de Vasco da Gama chegavam e fundeavam em frente à cidade de Calecut, contatando finalmente com a tão desejada Índia. O projeto, que tantos marinheiros empregara ao longo do século XV, concretizava-se finalmente, e a parte fundamental da missão de Vasco da Gama estava cumprida.

HOMENAGEM AOS FILHOS DA ESCOLA E GRUPO 1 DE ESCOLAS DA ARMADA

Dia de festa na Escola    (Foto Revista da Armada)
As instalações da Marinha em Vila Franca de Xira foram, durante muitas décadas, um local fervilhante de vida e movimento. Escutavam-se o rufar dos tambores, as vozes de comando, o som do clarim, o bater compassado das botas no chão da parada…

Ali chegavam anualmente milhares de jovens vindos de todo o país. No saco carregavam a sua bagagem, no rosto ansiedade e esperança, mas também a altivez pelo orgulho de ser marinheiro. Muitos, alguns ainda adolescentes, vinham voluntariamente para cumprir um sonho; todos para servir a Marinha e a Pátria.

Marinheiros em desfile nas ruas de Vila Franca. A vida e movimento da
Escola extravasava para o exterior. Vila Franca perdeu vida e cor
com o fim da Unidade militar. Foto Revista da Armada)
Apesar da sua vocação militar o ensino ali ministrado incluía e procurava incutir nos jovens altos valores de cidadania, de coragem e firmeza de carácter, que muito contribuíram não só para o seu engrandecimento pessoal, mas também para o prestígio da Marinha e do país, que serviram com honra e orgulho.

É por isso, por toda essa envolvência mística, que hoje todos aqueles que um dia pisaram aquele chão sentem uma enorme saudade e carregam nos ombros a tristeza pelo fim daquela Escola, agora abandonada, ainda com o futuro incerto ou mesmo desconhecido.

Há coisas que marcam o ser humano, essas coisas podem ser pessoas, factos vivências, locais, edifícios… o Grupo nº 1 de Escolas da Armada, no qual se incluía a Escola de Alunos Marinheiros, onde os jovens davam os primeiros passos na sua vida futura de marinheiros e militares da Armada, deixou uma inegável marca positiva que perdurará eternamente em quem teve o privilégio de lá ser aluno e também nas gerações vindouras, pois a História se encarregará de a manter viva. Haverá sempre um descendente que dirá com orgulho: “ o meu pai, o meu avô ou o meu bisavô foi marinheiro e esteve em Vila Franca!...”

É essa marca positiva que faz com que todos os filhos daquela Escola sintam saudade, mas também dor e algum espanto pela incapacidade dos governantes em saberem preservar aquele espaço e a História que ele representa.

Grupo de antigos marinheiros, autores da homenagem

Flores em homenagem à Escola e aos seus alunos  (Fotos de João Faustino e
Eduardo Camilo, presentes na cerimónia)
No passado dia 24 de Março de 2012, um grupo de antigos marinheiros deslocou-se às instalações do Grupo nº 1 de Escolas da Armada, para ali, naquele local que durante alguns meses foi a sua casa e a de milhares de outros jovens, prestarem uma singela mas sentida homenagem a todos os filhos da escola que ali escreveram uma página do seu percurso de vida, uma página escrita com intensidade e de forma indelével… 

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AS FARDAS DE TRABALHO DA MARINHA

Este é o uniforme de trabalho mais comum na Marinha. Camisa azul claro, calças de terylene azul escuras e panamá branco. 

O MOVIMENTO NACIONAL FEMININO

Hospital da Marinha.
No meu percurso militar estive internado, durante algumas semanas, no Hospital Militar de Coimbra e no Hospital da Marinha. Foi neste último que tive contacto com as senhoras do Movimento Nacional Feminino que ali iam visitar os doentes e ofereciam pequenas prendas, como livros e tabaco. Ainda guardo, desse tempo, um livro e um porta-chaves dourado, decorado com uma pequena caravela que elas me ofereceram.

JURAMENTO DE BANDEIRA DA 1ª INCORPORAÇÃO DE 1972


Já falei neste blogue sobre o 1º Juramento de Bandeira de 1972, num dos artigos que escrevi sobre a Escola de Alunos Marinheiros. Nesse artigo coloquei uma foto que não correspondia exactamente a essa cerimónia, por não ter nenhuma, mas, recentemente, a Revista da Armada disponibilizou no seu site todos os números desde o seu inicio em Julho de 1971, tendo encontrado na Revista nº 9, referente ao mês de Junho de 1972, uma pequena notícia sobre esse Juramento, acompanhada de uma foto do Batalhão em formatura. Essa imagem não engloba todos os elementos que ali estavam perfilados, nem permite distinguir ninguém, no entanto não pude deixar de sentir alguma emoção ao recordar aquele dia e saber que eu fui um dos que ali esteve.

AS OBRAS DE UM MARINHEIRO

A Internet, apesar dos malefícios que se lhe reconhecem é, sem dúvida, um meio muito importante na união e encontro de pessoas e também de aquisição de conhecimentos, que dificilmente seriam possíveis obter se não fosse a sua existência. Graças ao meu blogue já consegui entrar em contacto com alguns antigos colegas do tempo do serviço militar e outros, que embora não tenha conhecido durante esse período, posso agora e apesar de não os conhecer pessoalmente, considerá-los como verdadeiros amigos.

Um desses amigos é o antigo Cabo de Manobra, Eduardo Camilo, que esteve muitos anos ao serviço da Marinha e que conheci graças aos comentários no meu artigo “O Fim do Grupo nº 1 de Escolas da Armada”.

Muitos outros antigos marinheiros por aqui têm passado e deixado bem vincada a sua saudade e a sua mágoa pelo encerramento daquele Unidade da Marinha, alguns deixando o seu contacto na esperança de encontrar antigos camaradas da Marinha, historicamente conhecidos como “Filhos da Escola”.

NRP ÁLVARES CABRAL F336

Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010 NRP ÁLVARES CABRAL F336

Camaradas e Amigos, hoje é a última vez que escreverei no blogue, portanto quero deixar aqui o meu agradecimento a todos os que nos quase 3 anos nos visitaram, a quem comentou as postagens e a quem connosco colaborou. A todos o meu Obrigado, todos vocês foram excepcionais. A.Moleiro

OS UNIFORMES DA MARINHA

A inconfundível boina do marinheiro

Há dias fiz uma visita ao meu baú de recordações do tempo do serviço militar. Não é mais do que uma mala antiga onde guardo as minhas fardas de marinheiro e mais algumas (poucas) coisas dessa época que recordo com muita nostalgia e uma grande emoção. Os quatro anos que estive na Marinha foram, talvez, os melhores da minha vida. O serviço militar que iniciei numa fase ainda muito imatura da juventude, teve pelo meio alguns acontecimentos históricos que vivi de muito perto e que tornaram esse período da minha vida muito emotivo mas também muito interessante e que me proporcionou imensas aprendizagens.

A REVOLTA DOS MARINHEIROS DE 1936

Hoje, dia 8 de Setembro de 2010, passam 74 anos sobre a revolta dos marinheiros de 1936.

O objectivo principal da revolta em que estiveram envolvidos os navios “Afonso de Albuquerque” e “Dão” era passar a barra e, uma vez ao largo, fazer ao Governo de Salazar, um ultimato, para que fossem libertados e reintegrados 17 camaradas, punidos após uma expedição do “Afonso de Albuquerque” a Espanha, em Agosto, pouco depois de ali ter eclodido a guerra civil e também a libertação de todos os camaradas que já anteriormente tinham sido expulsos e presos.

FRAGATA D. FERNANDO II E GLÓRIA


A fragata D. Fernando II e Glória em Cacilhas
Não é minha intenção falar da história deste navio, porque não sou a pessoa mais indicada para o fazer e também porque se o fizesse iria apenas repetir o que já consta de muitos e bom sites na Internet o que iria contra umas das finalidades deste blogue, que é a partilha de conhecimentos e informação o mais original possível. Assim, o motivo deste artigo é apenas o de relatar algumas das impressões com que fiquei numa visita que fiz a este navio museu.

O EDIFÍCIO DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DA MARINHA

A "Nau de Pedra". Foto da Revista da Armada nº 415 de Janeiro de 2008.
A Administração Central da Marinha encontra-se instalada na área poente da “Zona Monumental do Terreiro do Paço”, num conjunto de edifícios erigido na sequência do terramoto de 1755 e classificado como Monumento Nacional pelo Decreto do Governo nº 136, de 23 de Junho de 1910.

MARINHA DE GUERRA - CURSO DE ABASTECIMENTO

O símbolo da classe de
Abastecimento
No dia 4 de Abril de 1972, após duas semanas de descanso na terra para recuperar das vicissitudes da recruta, regressei a Vila Franca para iniciar a aprendizagem na especialidade de Abastecimento.

Devo confessar que as recordações deste período da minha vida militar não estão tão vivas na memória, quanto as da recruta, talvez porque a partir desta altura se passou a uma fase mais rotineira e teórica do serviço.

Logo no início de Abril surgiu a única situação um pouco diferente, quando fui chamado a fazer parte do Batalhão que foi prestar honras militares ao então Presidente da República, Almirante Américo Tomás, quando este se deslocou ao Brasil, na altura em que foram trasladados para esse país os restos mortais do rei D. Pedro I. Não me recordo de grandes pormenores sobre o acontecimento e julgo que o pessoal que integrou esse Batalhão o terá sido, talvez, pela prática recente de exercícios de Ordem Unida, adquirida na recruta.