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SEMENTEIRAS DE OUTONO


Este ano decidi iniciar as sementeiras de alhos, favas e ervilhas um pouco mais cedo. Normalmente faço esse trabalho durante os meses de Novembro e Dezembro, mas como o tempo tem estado ótimo para as tarefas do campo, aproveitei esse facto e semeei já uma pequena quantidade desses produtos, contando fazer outra sementeira lá para finais de Dezembro ou Janeiro, o que, no que respeita às favas e ervilhas, irá originar um período mais alargado em que será possível ter esses legumes à disposição para consumo em fresco.

TRATAMENTOS CONTRA O MÍLDIO DA BATATEIRA



Na pequena agricultura caseira, normalmente utilizam-se pulverizadores manuais. Nestes aparelhos, o cobre foi substituído pelo plástico, o que os torna mais leves. Este tem capacidade para 16 litros e tem o tubo telescópico, o que é vantajoso quando se trata de pulverizar árvores e também para abranger uma área maior quando se está no meio dos batatais. A calda é preparada num recipiente onde se coloca água suficiente para fazer a diluição do produto. Depois coloca-se o resto da água, sendo que normalmente a concentração é de 250/300 gramas para 100 litros de água, o que, grosso modo, equivale a duas colheres de sopa (a medida que é costume utilizar-se na pequena agricultura),  para 10 litros de água. 

APANHA DA AZEITONA, PODA DE OLIVEIRAS E OUTROS TRABALHOS DE OUTONO

O outono é uma das estações do ano com mais trabalhos agrícolas a realizar nos campos. Começando logo no início da estação uma grande azáfama com as vindimas, a que se segue, quase de imediato, a apanha da azeitona. A safra da azeitona é uma das mais importantes tarefas agrícolas e também das mais trabalhosas, mas as vindimas e a azeitona são apenas duas das tarefas mais significativas do outono, mas não as únicas, pois há que contar com as sementeiras de favas, alhos ervilhas, couves e muitos outros trabalhos.

Este ano já fiz a minha sementeira de favas e ervilhas, mas não vou voltar a falar nisso para não ser repetitivo, pois já tenho uns dois ou três posts no blog a tratar desse assunto; refiro apenas que este ano estrumei bem a terra com o estrume produzido pelas galinhas que adquiri há uns meses atrás, sendo esta uma das vantagens de ter algumas galinhas, talvez até a maior, pois os ovos que elas põem mal pagam as rações e além das rações ainda têm de comer outras coisas, entre as quais muita verdura. Estas galinhas comem couves que se fartam e por isso mesmo plantei também mais duas centenas de couves galegas, também conhecidas por couves serranas, que são umas plantes que crescem bastante e durante vários meses produzem muitas folhas que se vão colhendo quando já estão bem desenvolvidas. É também com este tipo de couve que se prepara o famoso e apreciado caldo verde, havendo neste caso a necessidade de apanhar as folhas num estado mais tenro.

Como já disse um dos trabalhos mais significativos do outono é a apanha da azeitona e, nestas ultimas semanas,

Tratamento de madeira para cercas

Quando resolvi fazer uma vedação à volta  da minha chácara, pensei em utilizar toros de pinho tratado, não porque seja o que mais se vê em cercas de propriedades rurais e também na vedação das novas estradas (o que parece ser garantia de durabilidade), mas porque daria um aspeto mais rústico, o que era uma exigência que fizera a mim próprio: fazer uma quintinha o mais ecológica possível, sem esquecer a rusticidade, utilizando materiais de pouco custo e que se enquadrassem no meio ambiente rural.

Infelizmente, o preço que me foi pedido por essa madeira obrigou-me a desistir da ideia e a procurar outras alternativas de menor custo. Espetar paus de pinho ou eucalipto na terra sem o tratamento adequado, não podia ser uma opção válida, pois rapidamente apodreceriam e teriam de ser substituídos a breve trecho.

COMO SEMEAR FAVAS E ERVILHAS

Chegou a altura de começar a semear favas e ervilhas. Depois da satisfação pela ótima colheita de batatas deste ano que descrevi em o "Ciclo da Batata", chegou o desânimo pelo facto de mais de metade da produção estar muito deteriorada por ter sido atacada pela borboleta. Essa praga que eu tentei combater evitando produtos químicos, recorrendo apenas à cobertura das batatas com ramos e folhas de eucalipto, não foi suficiente e muitos tubérculos foram atacados, de tal forma que parte da produção se perdeu. As batatas que colhi em Julho seriam o bastante para a autossuficiência familiar desse produto, até às primeiras colheitas de batatas temporãs que deverá ocorrer entre Abril e Junho, no entanto, agora a maior parte delas estão de tal modo picadas que já nem metade se consegue aproveitar e, por isso, em breve terei de as começar a comprar. Mas a verdade é que, por vezes, se encontram batatas em promoção nos supermercados a um preço tão baixo que, certamente, ficava a ganhar se não semeasse nenhumas. No entanto, o hábito e também o “bichinho” pelo trabalho no campo fala sempre mais alto e lá para Janeiro/ Fevereiro estarei lançando à terra as primeiras batatas de semente.

O CICLO DA BATATA

Uma das vantagens da produção de produtos agrícolas para consumo próprio é, sem dúvida, a confiança que as pessoas têm naquilo que produzem e que consomem. Ainda, recentemente, surgiu o caso da bactéria E. coli que levou muitos consumidores a desconfiarem dos legumes que compram no mercado e, inclusivamente, a deixarem de os adquirir o que causou grandes prejuízos aos agricultores. É nestas alturas que quem tem a sua pequena horta e aí semeia, planta e cultiva os seus próprios produtos, dá ainda mais valor ao seu trabalho. Depois há também as vantagens económicas que não são muito significativas, mas mesmo assim são uma ajuda, nesta altura em que muitas famílias têm dificuldade para equilibrar os seus magros orçamentos, devido às injustiças sociais com que somos obrigados a conviver e que tem feito com que muita gente tenha de lutar arduamente, todos os dias, para conseguir sobreviver enquanto outros podem esbanjar ou amealhar, conforme lhes apeteça.