Os
concelhos de Penela, Miranda do Corvo e Condeixa são percorridos por rios
conhecidos por mais do que um nome. O facto de se tratar de três concelhos
vizinhos, onde em qualquer deles passa um rio que tem dois ou mais nomes (no
caso de Penela são três rios), parece indicar que existirão muitos outros nas
mesmas condições por esse país fora. Não deixa de ser curioso que os mesmos
cursos de água, que são rios ou ribeiras com apenas algumas dezenas de
quilómetros, sejam conhecidos por dois nomes diferentes. Intrigado fui à
procura de explicações para esta situação…
Projetos e engenhos caseiros sustentáveis - construção civil - agricultura - histórias de vida.
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Turismo nas margens do Rio Dueça
Foi
recentemente inaugurado um moderno hotel de quatro estrelas no concelho de
Penela. Este hotel, de que já falei no blog em “Penela – destino turístico”,
situa-se na Ponte do Espinhal, muito perto da nova rotunda de acesso à A 13 e a
cerca de 100 metros
do IC3. Está encostado ao rio Dueça e foi construído a partir da recuperação de
um antigo edifício onde outrora funcionou uma fábrica de papel. Este hotel a
que foi dado o nome de “HD Duecitânia Design Hotel”, dispõe de 42 quartos,
restaurante, bar e SPA, apresentando-se como a primeira unidade hoteleira de
Penela, vindo por isso preencher uma lacuna existente num concelho onde há
grandes potencialidades turísticas, assentes nas belas paisagens, no sossego
das serranias, na boa gastronomia e sobretudo nos muitos vestígios da civilização
romana, em que o hotel foi inspirado.
MONUMENTOS DE PODENTES
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| Pelourinho de Podentes. |
Quem
atravessa a pequena vila de Podentes na direção de Alfafar, encontra logo a
seguir à igreja um pequeno largo que ostenta um pelourinho. Este pelourinho é
descrito da seguinte forma no livro “Penela, História e Arte”:
É
um dos mais curiosos da região. Um fuste de mármore eleva-se sobre uma base
nova constituída por quatro degraus. O capitel é de forma cúbica e mostra nas
faces a Cruz de Cristo, a esfera armilar e outros dois escudos já gastos, um
dos quais, esquartelado, dos Sousas de Arronches.
É
uma obra manuelina, sendo o fuste de mármore, devendo ter sido reaproveitado de
qualquer edifício antigo em ruínas, de origem romana. É o maior fuste de um só
bloco, datável desta época, até agora encontrado em Portugal.
O NOVO PROJETO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE MEDICINA PREVENTIVA
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| Foto da APMP |
Os
edifícios construídos nos anos 60 na serra do Espinhal, concelho de Penela, que
faziam parte do projeto idealizado pelo dr. Bacalhau e que ficou conhecido na
zona como “As Obras do dr. Bacalhau”, estão a ser recuperados, com vista à
implementação de um novo projeto que vai a ser levado a cabo pela Associação
Portuguesa de Medicina Preventiva, que pretende fazer daquele espaço um Centro
de Excelência na área da saúde.
A ALDEIA DE CASAS NOVAS
Durante as minhas deambulações pelas zonas de Penela e Ansião tenho encontrado muitas coisas interessantes: aldeias históricas, monumentos, paisagens maravilhosas, etc. Já aqui falei muito sobre esta região e muito há ainda para dizer. Hoje vou falar de um facto curioso que tem a ver com a divisão administrativa da freguesia de Pombalinho, uma das doze freguesias que compõem o concelho de Soure, sendo uma das maiores, mas com apenas cerca de 1000 habitantes.
O VALE DO ESPINHAL
Nas zonas mais interiores do distrito de Coimbra não existem muitos campos agrícolas de grande dimensão, pelo menos que eu conheça, uma vez que a região é predominantemente florestal, onde abundam pinheiros e, sobretudo, eucaliptos. Há muito tempo que se investe na plantação de eucaliptos, devido à procura desta madeira pelas empresas de celulose e também porque o eucalipto se desenvolve muito rapidamente. Esta árvore em cerca de dez anos fica pronta para o corte para celulose, (o que vulgarmente se designa por faxina) e depois reproduz-se novamente, podendo desenvolver vários rebentos de que irão surgir outros tantos troncos.
Dadas as vantagens económicas que representa não é difícil adivinhar a razão da escolha dos proprietários dos terrenos por esta árvore, em detrimento de outras, inclusivamente em terrenos onde outrora se cultivavam produtos agrícolas, embora a plantação de eucaliptos obedeça a uma legislação restritiva no que se refere ás áreas geográficas de plantio.
Do Rabaçal a Conímbriga pelos Caminhos de Santiago
Este artigo foi atualizado em Maio de 2017
Os Caminhos de Santiago são os percursos percorridos pelos peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o Século IX. Estes são chamados de Peregrinos, do latim "Per Aegros", "aquele que atravessa os campos". Têm como seu símbolo uma concha, normalmente uma vieira designada localmente por "venera", costume que já vinha do tempo em que os povos ancestrais peregrinavam a Finisterra.
Os Caminhos de Santiago são os percursos percorridos pelos peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o Século IX. Estes são chamados de Peregrinos, do latim "Per Aegros", "aquele que atravessa os campos". Têm como seu símbolo uma concha, normalmente uma vieira designada localmente por "venera", costume que já vinha do tempo em que os povos ancestrais peregrinavam a Finisterra.
Os caminhos espalham-se por toda a Europa e vão todos entroncar aos caminhos franceses que posteriormente se ligam aos espanhóis, com excepção das várias vias do Caminho Português, que têm origem a sul, e do Caminho Inglês que vinha do norte.
Fonte: Wikipédia
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| Zambujal. |
O percurso do Rabaçal a Conímbriga pelo Caminho de Santiago tem alguns pontos bastante interessantes sendo, desde logo, o facto de se tratar de um percurso que assenta, senão na totalidade, pelo menos em grande parte, na antiga via romana que ligava Olisipo (Lisboa) a Brácara Augusta (Braga), um motivo de interesse.
Este percurso é de cerca de 12 km e outro aspecto interessante é o facto de grande parte dessa distância ser feita junto ao Rio Caralio Seco (Caralium Secum) que hoje, por decência, conforme é referido no livro “Penela História e Arte” de Salvador Dias Arnaut e Pedro Dias, mais conhecido por Rio Pau, Ribeira de Alcalamouque, Rio dos Mouros… A respeito deste rio dizem ainda os autores: “… No verão, pedras musgosas no leito (por vezes musgo negro, feio), lagartos e cobras ao sol. No inverno súbita fúria. Invade os campos, tenta roubar azeite e ovelhas, leva consigo latas, roupas, pneus, cestos, tudo o que vorazmente apanha; e vai pendurando na selva do vale estreito e medonho a montante de Conímbriga e ao som pavoroso que dá no Esguicho, plásticos, farrapos, que ali ficam no alto a adejar sinistramente.
Enfim, um rio com características muito próprias das regiões cársicas em que as águas das chuvas são rapidamente absorvidas pelo solo e por esse motivo o leito do rio, em algumas zonas do seu curso, se encontra frequentemente sem água e a justificar assim o seu nome de Carálio Seco.
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| Fonte Coberta - Pintura de Pier Maria Baldi. |
A localidade seguinte ao Rabaçal, que se encontra no caminho é o Zambujal, sede de freguesia, que pertence ao concelho de Condeixa-a-Nova. Ali o Caminho de Santiago está muito bem sinalizado por placas que indicam o caminho a seguir sem possibilidades de engano e o mesmo acontece na aldeia de Fonte Coberta, onde até a rua principal tem o nome de “Rua do Caminho de Santiago”. Esta aldeia está muito bem cuidada e aqui as suas ruas e travessas têm nomes assinalados em pequenos painéis de azulejos colados nas esquinas das casas. À entrada e à saída da aldeia ostenta placas de boas-vindas, também em azulejos. Com um painel de azulejos é também assinalado o Largo Piere Maria Baldi, local onde está exposta a reprodução de uma pintura que foi feita em 1669 pelo pintor e arquitecto toscano Pier Maria Baldi, que acompanhava o príncipe Cosme de Médicis numa peregrinação a Santiago de Compostela.
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| Ponte Filipina 1636/1637. |
A última placa identificativa do Caminho de Santiago encontra-se à saída da aldeia e assinala também ali, a poucos metros, uma ponte sobre o Rio Carálio construída, no reinado de Filipe III de Portugal, entre 1636/1637. Neste local foi construído, em data muito recente, um parque de merendas onde está exposto um painel de azulejos mostrando a ponte Filipina e contando um pouco da sua história.
A partir daqui o caminho que, desde o atravessamento da estrada do Rabaçal, era em alcatrão passa a ser em terra batida e assim vai continuar até Conímbriga.
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| Parque de merendas junto à ponte Filipina |
A partir daqui o caminho que, desde o atravessamento da estrada do Rabaçal, era em alcatrão passa a ser em terra batida e assim vai continuar até Conímbriga.
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| O caminho entre Fonte Coberta e Poço. |
Até à aldeia do Poço o caminho segue sempre paralelo ao rio, juntinho à margem esquerda e é apenas um carreiro que não permite a passagem de automóveis. De resto este percurso como muitos outros dos Caminhos de Santiago são percorridos na sua maioria por praticantes de BTT e eu próprio o fiz nessa condição, tendo-me cruzados com vários ciclistas. De salientar que as margens do Carálio Seco, que contrariando nesta altura o seu nome, transporta bastante água, são aqui despidas de arvoredo ao contrário do que acontece com outros rios, não muito longe daqui, como o meu bem conhecido Rio Dueça, onde abundam os salgueiros, amieiros ou choupos.
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| O Rio Carálio entre a aldeia do Poço e Conímbriga. |
Para lá da povoação do Poço o caminho afasta-se ligeiramente do rio, mas apenas durante algumas centenas de metros, pois mais à frente encosta-se de novo a ele, antes do rio entrar num vale profundo, encostado a um monte de paredes abruptas, entrando então o caminho em íngreme subida. Este vale é certamente o que é referido no livro de Salvador Dias Arnaut e Pedro Dias como o vale estreito e medonho a montante de Conímbriga.
O rio deixa de ser avistado durante cerca de dois ou três quilómetros e o caminho passa a estar rodeado de pinheiros, não existindo placas a identificar o caminho, o que faz, por vezes, surgir algumas dúvidas sobre o percurso, no entanto sempre se vão encontrando algumas setas amarelas pintadas em árvores ou em pedras, à beira da estrada.
Depois desta pequena ausência o rio surge de novo, após uma acentuada descida, onde é atravessado por uma ponte estreita de cimento começando, logo após a travessia, a estrada a subir de novo enquanto o rio se vai precipitando ravina abaixo, rodeado por abruptas encostas adornadas com enormes rochas calcárias. É uma paisagem simultaneamente espectacular e selvagem que se avista, enquanto se vai subindo pela estrada que, daí a nada, desemboca junto às ruínas da cidade romana de Conímbriga.
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| A Casa de Cantaber em Conímbriga. O Caminho de Santiago passa a poucos metros daqui. |
Este percurso apesar da sua pequena extensão é, em termos de paisagens e de simbolismo histórico, absolutamente inesquecível. Aqui é fácil viajar no tempo. Sonho, aventura e mistério de mãos dadas!
TAMAZINHOS
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| Alminhas em Tamazinhos. Aqui seria noutros tempos, talvez, a entrada principal da aldeia. |
Paredes de pedra calcária enegrecidas pelo tempo… esqueletos de casas esventradas pelo desuso e abandono, com as suas ruas atapetadas de verde, indicando que por ali deixaram de circular pessoas, carroças ou animais…
O MONTE DE VEZ
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| Quadra a comemorar a inauguração do abrigo no cimo do monte. |
O Monte de Vez fica situado na parte nordeste do Maciço de Sicó, a cerca de seis quilómetros, por estrada, da vila de Penela. Visto a alguma distância, parece mais um um conjunto de pequenos montes, em redor da elevação principal, mas o que salta imediatamente a vista são as torres eólicas que ali foram erguidas recentemente. O investimento que nos últimos anos tem sido feito para a produção de energia através da força do vento não tem poupado os locais elevados e onde houver espaço suficiente para o funcionamento de alguns geradores eólicos, o terreno é logo aproveitado para esse fim. No Monte de Vez foram implantadas oito torres, mas não muito longe dali, numa outra elevação para os lados de Ansião há um parque, onde já estive que tem apenas três geradores. O acesso ao local mais alto do monte, onde está o parque eólico é feito pela aldeia de S. Sebastião, por uma estrada de terra, onde recentemente circularam grandes camiões, transportando os materiais para a construção do parque eólico e por isso, logicamente, transitável para qualquer tipo de veículo.
FERRARIAS DE S. JOÃO, CENTRO DE BTT
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| Ferrarias de S. João vista do alto da crista quartzítica. |
Ferrarias de S. João é uma aldeia do concelho de Penela, situada no extremo sul da Serra da Lousã. Rodeada por montes rochosos, faz parte de uma paisagem algo agreste e selvagem mas de uma rara beleza, comparável às míticas paisagens do Oeste Americano que há algumas décadas atrás eram com frequência transmitidas pelos filmes de western. Esta foi pelo menos a impressão com que fiquei quando visitei esta zona da serra pela primeira vez.
A NASCENTE DO RIO DUEÇA
No artigo que escrevi sobre o Rio Dueça, publiquei duas imagens da nascente desse rio que foram captadas no período de inverno, estando por isso um enorme volume de água a brotar do interior da terra. Em Setembro fui lá captar uma imagem da nascente, completamente diferente, pois nesta altura do ano a água ali é quase inexistente, dando para ver o buraco por onde sai toda aquela água, o que origina um contraste muito grande entre as duas fotos.
Esta nascente, também denominada “Olho do Dueça”, já foi alvo de explorações subterrâneas, por grupos de mergulhadores que percorreram cerca de 900 metros no interior da galeria.
O MONTE DE TRÁS DE FIGUEIRÓ
Já aqui falei do Monte Germanelo, onde existe um castelo medieval e do Jerumelo, dois montes unidos por uma curiosa lenda sobre dois irmãos gigantes que eram ferreiros e habitavam cada um em seu monte e que, tendo apenas um martelo, dele se serviam alternadamente, atirando a ferramenta de um monte para o outro.
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| O Monte Germanelo (à esquerda) e o Jerumelo (à direita). |
A Cascata da Pedra da Ferida
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| A cascata |
Hoje vou continuar na zona do Espinhal, concelho de Penela, para falar de um local muito bonito, óptimo para quem gosta de estar em contacto com a natureza e apreciá-la em todo o seu esplendor. Trata-se da Cascata da Pedra da Ferida, uma queda de água de cerca de vinte e cinco metros, em plena rocha, numa ribeira que desce a serra, rodeada por encostas abruptas e muita vegetação.
AS OBRAS DO DR. BACALHAU, NA SERRA DO ESPINHAL
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| O edifício principal das "Obras do dr. Bacalhau, construído na década de 60, onde decorreram os festejos da inauguração há mais de quarenta anos. |
O CASTELO DE GERMANELO
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| Painel informativo à entrada da estrada de acesso ao castelo |
Hoje fui ao castelo de Germanelo. Vou lá imensas vezes, pois é um óptimo sítio para ser visitado de bicicleta, podendo-se subir o monte e andar por ali praticando BTT, pois existem vários percursos em redor do castelo muito bons para a prática desse desporto. Para quem não saiba o castelo de Germanelo fica no concelho de Penela, bem perto da vila do Rabaçal, famosa pelos seus queijos.
PENELA, DESTINO TURÍSTICO
Sempre gostei muito de Penela. Esta vila, vizinha da terra que me viu nascer tem, com os seus monumentos e a sua História, um misticismo que através da imaginação facilmente nos transporta ao passado. Parece sentir-se ali algo de diferente, quase sobrenatural, uma envolvência própria de sítios históricos, de locais onde se viveram acontecimentos que sobrevivem à letargia própria das coisas banais. Creio que esta atmosfera mítica tem sido inteligentemente aproveitada pela autarquia, que tem organizado ou apoiado a realização de eventos associados à sua riqueza histórica, que tem trazido muita gente a Penela, o que poderá fazer com que esta vila venha a ser considerada como uma importante referência turística do país, isto se não o for já.
O RIO DUEÇA
O açude da Quinta da Paiva. Aqui aprenderam a nadar gerações sucessivas de habitantes das aldeias próximas. Antes de existirem as piscinas do complexo turístico este local funcionava como uma autêntica praia fluvial.
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