17 de abril de 2010

FILHOS DA ESCOLA DE JANEIRO DE 1970

O artigo que escrevi com o título “O Fim do Grupo nº 1 de Escolas da Armada” é um dos grandes sucessos deste blogue, uma autêntica “Página do Marinheiro”. Apesar de não ser a página com maior número de visitas é a que reuniu, até hoje, o maior número de comentários e tem servido de ponto de reencontro e elo de ligação entre alguns Filhos da Escola e camaradas que se conheceram ao serviço da “Briosa”. Como administrador do blogue e antigo marinheiro este facto deixa-me muito satisfeito e largamente recompensado pelo esforço dispendido na manutenção do “Meio Século”.

Um exemplo de reencontro entre antigos camaradas são o Cabo M 196/70, Eduardo Camilo e o Sarg. 522/74, Francisco Ferrão, que estiveram juntos no N.R.P. Hermenegildo Capelo, há mais de três dezenas de anos e que agora estão novamente em contacto graças aos comentários que deixaram nas páginas deste blogue.

O Cabo Camilo enviou-me uma história muito engraçada, relatando um episódio passado na Escola de Alunos Marinheiros, com a 3ª Companhia do alistamento de Janeiro de 1970 que, com a sua autorização aqui publico, na esperança de que naveguem por aí Filhos da Escola desse tempo, que leiam esta mensagem e se recordem deste episódio, podendo através dos comentários que eventualmente queiram fazer, existir novamente contacto entre pessoas que se conheceram nesse período épico da sua juventude.

Corria o ano de 1970, mês de Janeiro e naquela época como sabe, a hora do silêncio era sagrada.
Após a instrução nocturna e o toque de silêncio, acendia-se a luz vermelha das camaratas e era para dormir. Disso incumbia-se o plantão á coberta, que apesar de ser aluno procurava fazer cumprir a ordem.
Nessa noite, ou porque alguns elementos não tinham sono ou porque tinha sido grande a agitação do dia, tardavam em adormecer, e conversando entre si no silencio da noite, perturbavam quem queria descansar.
Já por diversas vezes tinham sido calados pelo plantão, mas isso apenas aguçava ainda mais a desobediência tanto mais que o plantão era nosso colega.
Já farto daquilo, o mesmo resolve chamar o Sargento de quarto e relata-lhe o sucedido.
O referido Sargento vem de mansinho e põe-se á escuta.
E a determinada altura interrompe a galhofa e diz com voz autoritária, como seria de esperar :…-Psssiiiuu…pouco barulho.
Ou porque não se tivessem apercebido quem era ou porque julgassem ser o plantão a engrossar a voz, um dos desordeiros replica: - Mete o pssiiu no……
De imediato se acenderam todas as luzes, com o Sargento aos berros a perguntar quem disse aquilo.
Silencio absoluto. Embora soubéssemos quem tinha sido, ninguém se manifestou.
Resultado: os beliches foram percorridos um a um e todos sem excepção tal como estavam, foram postos fora dos cobertores e dada ordem para formar na parada.
Não houve tempo de vestir calças nem botas. Tudo para a rua.
Eram 10.30 da noite e quem visse aquele desfile trágico-cómico á luz bruxuleante dos candeeiros, mais parecia uma formatura fantasmagórica, uns de cuecas, outros com um pé calçado e outro descalço… era caricato, embora na altura eu não achasse piada nenhuma
Fomos obrigados a deitar-nos no chão de barriga para baixo, em redor das árvores existentes na parada, até dizer-mos quem tinha sido o engraçado, e ali permanecemos até cerca das 2 horas da manhã, sem nada revelar.
Ao fim desse tempo veio a ordem para dispersar e ir deitar.
A disciplina era rígida mas a unidade entre os alunos era coesa e ninguém denunciou ninguém, preferimos aguentar a noite de gelar ossos do que ser delatores, embora soubéssemos quem tinha sido o causador daquilo.
Soube-se depois que no dia do Juramento de Bandeira o aluno, já como praça, e após a foto de família á porta da Capela, foi junto do Sargento, e revelando-lhe que tinha sido ele o causador daquele episódio, ali mesmo lhe pediu desculpa.
As desculpas foram aceites.
Naquele tempo a disciplina era férrea, mas a nossa lealdade e camaradagem ajudavam a superar tudo.
Era assim o espírito dos Alunos Marinheiros da 3ª Companhia do 1º Alistamento de 1970.

Para ler outros artigos relacionados, por favor acesse ÁREA MILITAR.

24 comentários:

  1. Marinheiros e ex Marinheiros deixaram bem expresso neste blogue,que além da saudade da juventude dos velhos navios e unidades navais,havia a lealdade e camaradagem e a entre ajuda nos jovens intruendos (escolas) e foi nessa camaradagem que se fizeram grandes amigos,alguns desses amigos ainda perduram passado tantos anos.
    Eu tenho amigos desses,dentro de dias estarei presente num almoço de convivio com os meus camaradas de comissão.
    Estivemos no mesmo navio á 41 anos,durante 2 anos fomos quase da mesma familia,bebemos todos a mesma água do oceano desçanalizada pela máquina,sentimos todos o malagueiro embrutecido, e o mesmo mar de azeite.
    Sentimos todos a emoção da morte,morreram dois camaradas durante a comissão,duas mortes violentas uma por afogamento e outra por queimadura em explosão.
    Finda acomissão, uns seguiram a briosa outros a vida civil,com o decorrer dos anos,na memória só ficou o nome ou o numero,perderam~se as feições.
    Anos mais tarde tocou a reunir,aparecem então os jovens avôs, cabelo branco,barrigudos,que nada têm a ver com a aparência de outrora.
    Vai ser um prazer voltar a dar um abraço a velhos camaradas que só nos vamos vendo anualmente,mas é com a mesma alegria que damos um abraço aos camaradas que vamos vendo amiude.
    Este espirito de amizade foi criado na briosa.
    Tenho muitos amigos, mas estes amigos são especiais.
    Obrigado Camarada José Alexandre,por me deixares postar no blogue a minha opinião sobre a amizade e camaradagem de velhos marujos.
    Abraço
    Antonio Moleiro

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  2. Camarada e amigo António Moleiro:
    Eu é que agradeço a tua participação no blogue. É bom saber que entre os marujos há amizades que são eternas.
    Um grande abraço!
    José Alexandre.

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  3. Em continuação, e para vos provar o espirito de equipa,solidariedade,camaradagem e entre ajuda de quem serviu a Briosa,vou-vos relatar o seguinte facto.
    Ontem foi-me pedido umas fotos da Revista da Armada pelo amigo Carlos ex militar do Exército e antigo interno (fragata) da Fragata D.Fernando.
    Para mim seria impossível desenrascar o amigo Carlos,pois todo o meu espólio antigo sobre a Armada incluindo literatura,desapareceu em um acidente caseiro.
    Pensei em três hipóteses, recorrer ao Capitão de Mar e Guerra Villas-Boas,em alternativa ao meu camarada de blogue Almirante Silva e Pinho,ou ao ex Marinheiro José Alexandre, administrador deste estupendo blogue.
    Perante o meu pedido,o Camarada José Alexandre fez chegar á minha caixa postal as fotos pretendidas pelo Camarada Carlos.
    Obrigado Camarada José Alexandre pela tua solidariedade e Camaradagem
    Abraço
    Moleiro

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  4. Sou da 2ª incorporação de 1970: Manuel Henrique Quintas de Pinho Mar C Nº 850/70 2ª companhia.
    Alguém desta data?
    O meu contacto: 917 413 255
    email: henriquedaeira@gmail.com

    Um abraço

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    1. Inacio ex mar A 758/70
      email: inacio.artur@gmail.com

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Um forte abraço amigo e camarada pois eu sou da 1ª de 1970 Antonio Guilherme Ferreira Mar C nº230/70 fico à escuta nos 500 uo em alternativa no CTAA

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  6. Olá camarada António Guilherme Ferreira de Janeiro de 70 . Eu sou o 196/70 Camilo que foi Cabo de Manobra, éramos da mesma Companhia.
    Há histórias desse tempo para contar...vamos lá postá-las.
    Um abraço ao Filho da Escola desse tempo único.

    Camilo

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  7. Olá Camilo è com satisfação que volto aqui, pq de facto, apesar do tempo já ser longiquo, poderá apagar feições mas não a memória daquela gente como nós, que durante algum tempo, tivemos o mesmo dormitório, partilhámos as mesmas mesas, e fomos promotores de algumas diabruras próprias da idade.Prometo postar algumas delas.
    um forte abraço para todos os teus
    Ferreira

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  8. Amigo Ferreira, por onde andas...? O que fizeste depois da recruta...que especialidade seguiste? Se calhar cruzámo-nos nalguma unidade, mas perdemos o rasto. Perdoa-me se não associo o teu nome ás feições, mas já lá vão 40 anos.
    Coloquei uma foto da nossa Companhia no blogue da Lousã, podes lá ir ver e reconhecer a malta.
    Lembras-te de alguns deles...? o Tropical, o China, o Flores, o Comunista e tantos outros que que se perderam no tempo. Há uns anos vi o Flores na minha terra, na feira de Santarém, ele é de Setúbal, e tirou a especialidade de electricista. Do resto da malta nunca mais soube deles...que saudades, foi uma geração fantástica.
    Um grande abraço para ti
    Camilo

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  9. Olha amigo Camilo... agora navego em mar chão!...claro que me lembro desses célebres nomes, embora como dizes as feições vão ficando.Tropical, China, Flores, o comunista era o chamusca se bem me lembro, o lobinho, o reguila que era do Seixal com o nr 225/70 que acabou por sair face às diabruras enfim cadê eles? Camilo descobri este cantinho simpático e de primordial recordação,bem haja o trabalho efectuado por vós.Contacta
    pelo msm, para
    antonioguilhermeferreira@gmail.com
    Um abraço

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  10. Olá Camilo, Anónimo e Outros!
    Eu fui o 186/70 e presumo que devia dormir em frente ao Camilo que era "vizinho" do Bolachinha.Ainda hoje mantenho profundos laços de amizade com o Flores (de Setúbal). Há tempos fiz por encontrar o Tadeia (165/70) que tinha a mania que era forcado e mora em Coruche. Tenho mantido contactos com alguns Filhos da Escola e sen serem da Escola. Agora penso que o Camilo está errado quando relata a passagem da ida para a parada em "ceroulas". O castigo não foi atribuído à 2ª Cª mas a nós, 3ª. Com efeito, estava tudo na galhofa quando entra, não o Sargento, mas o Ten Leal (quem quase ningué gostava)e os do 1º Coté (Não sei se é assim que se escreve) começaram a espirrar tentando avisar-nos da presença do mausão mas a paródia continuou. O Tenente disse que visto haver tanta gente constipada no outro dia iriam todos à enfermaria. Quando sai da coberta ouve-se um tremendo Atchiiiiim, dado por um colega nosso chamado Sargento que era do Montijo e tinha uma voz muito grossa. O resto passou-se como contaste.As secções partiram com intervalos de cinco ou 10 min. "chefiadas pelos respectivos chefes de secção. Para meu azar, eu era comandante do 2º pelotão e fui o último a abandonar o campo da batalha. E Porque é que eu era o comandante de pelotão?
    Porque na semana anterior tinha sido mandado limpar a Secretaria Escolar (eu e outro F. Escola) e por acaso descobrimos na cesta do lixo, o papel químico do "stencil da prova que iria sair nessa semana. Depois de alguns minutos que levámos a decifrar aquilo, tínhamos o texto integral do teste.
    Como não éramos egoístas, passamos muitas perguntas a todos os outros, mas ficámos com as vinte (??) para nós dois. Daí eu ter tido vinte e ser nomeado comandante de pelotão.
    Por hoje já vai longo. Não vão faltar oportunidades de podermos relembrar muitos mais episódios.
    Como não conheço o RDM destes contactos, diz-me por esta via como havemos de contactar futuramente.
    Enquanto isso não acontecer, um grande abraço para todos os que tiveram a pachorra de ler estas linhas.

    PS. Na semana em que ocorreu o que relatei a 3ª estava a bater-se para conseguir o Guião (e ia consegui-lo) quando um elemento da mesma Cª confundiu a pia onde se lavavam as panelas com um urinol. Adeus Guião!

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    1. Boas tardes
      Filhos da Escola,eu António Santana MºCM 1340/65 andando a navegar no blogue,do Joalex,recordei algo parecido, que se tinha passado no meu período de recruta,tambem foi da 3ªcompanhia,e por algo semelhante,Houve um castigo colectivo,que fez que a companhia perdesse o "Guião"que na altura era detentora,para compensar,tivemos uma aula com arma de marcha aceleradra a triplicar,e outra a rastejar e obstáculos no campo de bola.
      Cumprimentos
      A.Santana

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  11. Boa noite Amigos,
    já tive a oportunidade de falar com este Camarada da minha Companhia, a 3ª e não a 2ª, como erradamente eu por lapso mencionei.
    O Camarada e amigo Adelino Courela, avivou-me a memória.
    Já lá vão 40 anos, há coisas de nunca se esquece, mas no meio de tantas haverá uma ou outra que falha.
    Como podem verificar, são tantas as histórias hilariantes daquele tempo e com aquela rapaziada que isto tudo era digno de um filme cómico daqueles á antiga.
    Mas foram momentos como estes que nos moldaram o carácter e nos tornaram coesos e firmes para enfrentar a vida que veio a seguir.
    A boa camaradagem foi muito importante nas nossas vidas. Hoje temos muitas saudades desse tempo fantástico.
    É certo que todos passaram por momentos identicos, em anos anteriores e nos anos seguintes, mas o que faz a diferença, é toda a envolvencia do momento que particularmente nos diz respeito e isso marcou-nos muito.
    Aquela Escola nunca devia ter fechado, com as carencias que este país tem, muita coisa poderia ter sido feita naquele espaço.
    Agora, está ao abandono, a criar mato e bicho.
    É o espelho desta nação
    Um abraço a todos os que por lá passaram.
    Camilo
    ex cabo m 196/70

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  12. Sou da 1ª incorporação de 1970: Manuel Braga da Silva Poço Marinheiro Nº 93/70
    Alguém desta data?
    Nunca tive contactos com com a malta de Janeiro de 1970.
    Na marinha era conhecido pelo TRANCAS e fui e serei sempre FUZILEIRO, estive em Luanda, Cabinda e São Tomé e Príncipe.
    Existe algum almoço anual da incorporação de Janeiro de 1970?
    email: mbraga@netcabo.pt

    Um abraço

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  13. o 225\70 esteve na comp.nº10 de fuzileiros em moçambique nos anos 74a 75

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  14. sou o 170/70, estou reformado e gostaria de ter o contacto do 165/70 Tadeia

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  15. Nao tenho saudades desse tempo,mas fiquei sensibilizado, ao recordar esses nomes mediaticos da nossa recruta.
    um abraço
    Soares-1952@hotmail.com

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  16. Boa noite Filho da minha Escolinha 225/70 o Virgílio que foi Fuzileiro e é de Almeirim. Estive com o meu amigo este ano em Setúbal a recordar os bons tempos.
    Um abraço
    Camilo de Santarém 196/70

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  17. Boa noite filhos da escola, eu sou de Abril de 1970, fui Mar A com o nº 758/70, estive com muitos camaradas de janeiro, conheço alguns da minha região, Torres Vedras, mas gostava de contactar alguns que estiveram comigo na Guiné de 72 a 74, em especial os que agora mais me lembro são o Adão Silva, mar Cm e o Matos Mar Cm, nunca mais os vi. Um abraço .

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    1. JOSÉ MARIA LEITÃO24 de abril de 2012 23:39

      Olá "FILHOS DA ESCOLA " fui elemento da nossa BRIOSA, no ano de 1969, da incorporação de Outubro. Fui o Marinheiro "L" Nº 2430/69. Tenho a agradecer à nossa Briosa, porque fez de mim, um Homem, com a formação que recebi, em Vila Franca, foi o trampolim para a minha vida. Cheguei tinha dezassete anos saí com vinte e dois, e o que sou hoje, devo-o à Marinha. Tive muitos bons momentos e tive também muitos amigos, Hoje tenho sessenta anos, e ainda me sinto MARUJO. Tenho uma página no Facebook em nome José Maria Leitão, de Barcelos, pois que há outros, e gostaria de fazer amigos no fcbk, que tenham andado na nossa MUI DIGNA BRIOSA. UM ABRAÇÃO de um filho da Escola.

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  18. OLá filho da escola,somos da mesma escola 2201/69 fui manobra 1ªcompanhia o meu trajeto na Briosa foi Sagres,Pedro Nunes.D Farois Paço arcos,e baixaOutubro1973,havia no meu curso de manobra dois elementos da zona de Barcelos por sinal erarm primos, o (Briote) e o (Gordinho) por acaso o meu Amigo não conhece?.ficam aqui os meus dados para falarmos futuramente.Silvio Ventura moro em Carris -Oiã-Oliveira do Bairro-Aveiro Mail -sgv52@sapo.pt tel, 917618077 por agora mando-te um Abraço do tamanho do Mundo
    l

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  19. Sou o ex. Mar. E 421/70 - Areias, gostava de contactos com os electricistas do meu curso.
    Um abraço.

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  20. De Vila Franca para o alfeite...e depois... Mar C 108/70 Oliveira... Procuro amigos: o Orlando ...

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