A MINHA SEBE DE "LAUROS"

Já ando há alguns anos a plantar uma sebe na minha chácara…

Perante esta afirmação o leitor é capaz de estranhar o tempo referido para plantar uma sebe: “alguns anos?!” ou então ser levado a pensar que se trata de uma sebe muito grande, talvez com quilómetros de extensão…

A verdade é que se trata de uma sebe com a finalidade de delimitar o terreno e tem pouco mais de 100 metros de comprimento, mas a forma como eu tenho realizado o trabalho é que tem obrigado a tanta demora.

Claro que a sebe já poderia estar pronta e bastante desenvolvida se não fosse a necessidade absoluta de gastar o menos dinheiro possível. Mas vou passar a explicar:

Há quatro anos atrás comprei dez pés de “lauros”, com cerca de 50 cm, envasados, para colocar num local onde estavam algumas videiras americanas, que tinha arrancado. Esses dez pés deram apenas para oito metros de sebe e mesmo assim gastei 30 euros na sua aquisição, pois custaram três euros cada. Passados dois anos estavam grandes e levaram então a primeira poda, tendo sido informado que podia plantar os troncos e ramos provenientes da poda, pois que os “lauros” pegavam de estaca.


Os "lauros" que comprei com raíz.

Foi então que resolvi fazer uma sebe a toda a volta da chácara, tendo utilizado esses troncos e ramos, mas nessa altura não foram suficientes para toda a área, pelo que fiquei a aguardar pela 2ª poda, para plantar o resto que faltava. Entretanto, passados alguns meses, verifiquei que muitas dessas pernadas plantadas de estaca tinham secado e, por isso, quando voltei a podar os “lauros” que tinha comprado com raiz, plantei outras estacas em substituição das que não tinham pegado. Valeu o facto de, na segunda poda, os “lauros” estarem já bastante desenvolvidos e por isso as pernadas e ramos cortados deram para cobrir toda a área.

Como era de esperar as estacas plantadas dessa vez também não pegaram todas, pelo que fui lá agora podar novamente a 1ª sebe e plantar outras nos espaços deixados vazios pelas estacas que não tinham pegado.

Como já não podava a sebe há cerca de um ano, os lauros estavam muito desenvolvidos, com cerca de três metros de altura, o que originava que junto a base já houvesse carência de folhas.

Obtive agora pernadas e ramos suficientes para que a sebe fique definitivamente pronta, pois mesmo que alguns dessas estacas que agora plantei não peguem, não vai ter importância pois tive o cuidado de as deixar bem vastos para compensar a possível secagem de algumas.

Espero assim conseguir uma sebe a cercar toda a chácara, com baixo custo, pois atendendo a que a distância entre os pés não deve ultrapassar os 80 cm., para fazer a vedação completa teria de despender cerca de 360 euros, tendo como base o preço que paguei pelas primeiras árvores que foi de 3 euros por pé.


A sebe em formação, com "lauros" plantados de estaca.

É evidente que uma sebe plantada deste modo demora muito mais tempo a desenvolver-se, pois as estacas levam tempo a ganhar raiz e a agarrar-se à terra, aquelas que o conseguem fazer e, também para isso, necessitam de ser regadas com frequência, mas quando o assunto não é urgente podem perfeitamente poupar-se alguns euros, até porque algumas espécies adquiridas em viveiristas e entre as quais se incluem os “lauros”, não são nada baratas, na minha opinião.

Mas tenho estado para aqui a falar em “lauros” e ao que parece este não é o nome de nenhuma árvore, pelo menos foi essa a ideia com que fiquei após várias buscas que fiz na Internet, com o intuito de ficar a saber algo mais sobre a espécie. No entanto, esse foi o nome com que me foram indicadas essas árvores, porém, depois das pesquisas que efetuei, fiquei com a impressão de que deve existir alguma confusão com o loureiro (Laurus nobilis), pois em alguns sites é indicado o loureiro como sendo utilizado em sebes, mas essa árvore, o loureiro que eu conheço tão bem e que tem aquelas folhas verde-escuro, tão utilizadas na culinária como tempero de muitos pratos, não me parece que seja usado para esse fim, pelo menos de forma muito comum.

Partindo do principio que “lauro” não é o nome certo dessa árvore, parece-me que, pelas semelhanças encontradas nas pesquisas que realizei, tratar-se da espécie também designada por “louro cerejo”, cujo nome cientifico é Prunus laurocerasus, (família Rosaceae) designação que encontrei em sites de empresas especializadas nesses produtos.

Isto é confirmado pelo artigo da Wikipédia, sobre esta espécie, que diz o seguinte:

Prunus laurocerasus, com os nomes comuns louro cereja e algumas vezes chamado de louro inglês na América do Norte, é uma espécie do gênero Prunus, nativa às regiões que fazem fronteira com o Mar Negro, no sudoeste da Ásia e sudeste da Europa, da Albânia e Bulgária para o leste através da Turquia, às montanhas do Cáucaso e do norte do Irão.

O nome comum "cereja laurel" refere-se à semelhança da folhagem e aparência para o louro verdadeiro, loureiro (Laurus nobilis) (família Lauraceae). No entanto, as duas espécies estão em famílias diferentes e não estão relacionadas.


Em cima: Loureiro (Laurus nobilis)
Em baixo: Lauro (Prunus laurocerasus) 
É verdade que esta árvore tem algumas semelhanças com o loureiro, mas muito ligeiras, na minha opinião. As suas folhas são parecidas, mas as do loureiro são mais estreitas e aguçadas e a sua cor verde é mais carregada assim como também é mais escura a cor da sua parte lenhosa.

A verdade é que o “louro cerejo”, ou “lauro”, como lhe vou continuar a chamar, é uma espécie muito resistente, que sobrevive muito bem a baixas ou altas temperaturas e depois de desenvolvido quase não necessita de água, o que tenho como dado adquirido, pois a minha primeira sebe de “lauros” apenas foi regada durante alguns meses, após a plantação, e porque foi plantada já no inicio do verão, tendo-se mantido sempre viçosa e, de resto, as árvores envasadas podem ser colocadas na terra em qualquer altura, uma vez que se trata apenas de fazer a sua mudança do vaso para o local definitivo. Parece ser também muito resistente a doenças, pois ainda não lhes notei qualquer maleita, não tendo sido, por isso, necessário qualquer tipo de tratamento.

As suas folhas são perenes e largas; os ramos são vastos, pelo que formam uma boa sebe resistente e ótima para servir como quebra-vistas ou decorativa, no entanto tem o inconveniente de ocupar algum espaço devido à sua largura que será mais ou menos um metro, o que também acontece com outro tipo de árvores e por isso os pés devem ficar a uma determinada distância das estremas, distância que deverá estar regulada em lei.

No meu caso, como se trata de uma propriedade agrícola em que em água não abunda, em que pretendo uma sebe resistente e em que o aspeto decorativo não é o fator mais importante, mas sim os seus baixos custos de manutenção, acho que os “lauros” foram uma boa escolha, dadas as suas caraterísticas.


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9 comentários :

  1. Boa noite Amigo José Alexandre
    Cá está mais um assunto que me desperta interesse, como é habitual.
    Também adquiri há 2 anos Lauros para fazer uma sebe, mas verifico que o seu crescimento é demasiado lento, requer muita humidade e terra apropriada, o que não é o meu caso na zona onde os tenho.
    Este ano trouxe uns pés de uma planta proveniente do sul, muito semelhante ao Lauro mas de folha mais esguia e muito usada em todo o Algarve, do qual não sei o nome.
    O jardineiro que as forneceu afirmou que a mesma é muito resistente e vai ter uma vantagem, como no Algarve era regada com água salobra, agora aqui no Ribatejo com água doce o seu crescimento será mais rápido, vamos lá ver. Até agora estão-se a dar bem.
    Agora bom bom é uma planta que serve para sebe chamada Sansão do Campo ( Mimosa caesalpineafolia)mas que só existe no Brasil. Já tentei tudo para a encontar cá mas sem resultado. Até já enviei mails para o Brasil para adquiri a semente, mas sem efeito.
    Faz uma sebe de tal modo compacta que nada lá entra. Resiste ao gelo, calor extremo e após incendio regenera-se rápidamente.Isso era o ideal para fazer uma sebe.
    Por cá só as silvas proliferam eh eh eh .
    Um abraço
    Camilo

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    1. A Mimosa caesalpineafolia (da familia das Acácias) é uma planta invasora e que se comporta como uma praga e por isso é uma das plantas exóticas proibidas em Portugal.

      "Importante: O vento carrega as sementes que podem cair no meio de outras plantas, o sansão-do-campo (é assim que lhe chamam no Brasil) tem uma raiz profunda, que é difícil retirar depois que atinge determinado tamanho e mesmo cortando ele rebrota."

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    2. Ou seja: depois de plantada teremos de controlar todas as sementes (que são milhares) e que levadas pelo vento irão brotar por todo o lado. E em pouco tempo terá invadido tudo!

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    3. Como autor deste blog fico muito sensibilizado quando alguém publica comentários como este que valorizam os artigos. Mesmo tratando-se da resposta a um outro comentário, tenho que agradecer pelos interessantes e valiosos esclarecimentos sobre a planta em questão.

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  2. ahahaha... vou vender sementes de mimosa , se der bom rendimento ,quem sabe mudo de oficio :D


    Não conheço os 'lauros' só louros mesmo, amigo esse lauro serve como tempero para os alimentos igual ao louro?
    Esta muito bonito o cenário de sua chácara. beijinho de sua amiga Tin

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  3. Caro amigo,

    Antes de mais o meu agradecimento pessoal pelo seu testemunho.

    Pretendo construir uma sebe e gosto muito do lauro. Confesso que fui habituado a "produzir" e não a comprar, pelo que o seu testemunho deu-me um alento enorme para fazer a sebe na propriedade que estou a transformar.

    Obrigado e cumprimentos,

    Luís Silva
    luis.mc.silva@sapo.pt

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    1. Caro amigo Luís Silva,
      Se pretende plantar lauros de estaca estas deverão ficar mais vastas do que se forem plantas já com raiz, pois muitas das estacas plantadas acabam por secar. Da plantação que fiz no último Outono, devem ter secado mais ou menos metade, pelo que ainda vou ter de plantar mais algumas. Penso que a razão para terem secado tantas se deve ao facto de ter chovido muito pouco no inverno.
      Os meus cumprimentos e obrigado pelo comentário.

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  4. gostaria muito de plantar esse arbusto em casa aqui no Brasil ; Será que o senhor poderia enviar umas sementes mim ? eu pago as despesas de envio ou reembolso postal e lhe pago pelo "trabalho que terá"

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    Respostas
    1. Não tenho sementes desta planta, não o posso ajudar e é preciso ter em conta que as sementes são muito tóxicas. O melhor será consultar uma casa especializada em sementes.

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