ESTRUME DE GALINHAS NAS CULTURAS


Atualmente, tenho dez galinhas poedeiras e um galo na minha capoeira. Já tive frangos de carne, mas desisti porque o único interesse que via nisso era a qualidade dos frangos criados em casa. Claro que isso era muito importante e seria razão suficiente para manter essa atividade se não fosse a despesa que davam, não falando do trabalho do abate e limpeza, não tanto pelo trabalho, mas mais pela dificuldade em efetuar tal tarefa.

No que respeita às galinhas, já dei por mim a pensar se o dinheiro gasto em rações, o trabalho com a sementeira de milho que faço todos os anos para unicamente alimentar as galinhas e também as couves que planto em grande quantidade para elas, não seriam razões suficientes para acabar também com a criação de galinhas, uma vez que os ovos que elas põem não darão sequer para cobrir metade das despesas, sem contar, claro, com o trabalho que tudo isso envolve.


Também já estive a pensar sobre qual será o segredo para que esses alimentos estejam tão baratos. Pelo preço de um pito para criar compra-se um frango ou até dois, já prontos a cozinhar e, quanto aos ovos, por pouco mais de um euro compra-se uma dúzia, ou seja, com o dinheiro gasto em cinco quilos de ração compram-se duas dúzias de ovos, sendo que há alturas em que as galinhas param a postura, passando semanas sem que haja um ovo na capoeira. É verdade que não sei qual é o segredo para que os produtores de frangos e ovos consigam vender tão barato; ouço falar em seleção genética, em confinamento das aves em espaços reduzidos para evitar desgaste físico e engordarem mais depressa e também em administração de hormonas, embora esta última hipótese seja pouco admitida…

Bom… mas para além da qualidade dos produtos caseiros há outro factor a ter em conta e que é a produção de estrume, ou esterco como também se diz. Para manter uma pequena horta é necessário ter estrume para fertilizar a terra, ou então usar muitos adubos químicos e isso não me parece nada aconselhável para quem quer obter alimentos saudáveis. Acontece que o esterco de galinhas é dos melhores fertilizantes orgânicos, sendo superior ao de outros animais. Por isso uma criação de galinhas é quase indispensável para quem se dedica à agricultura caseira, mas para obter bom estrume de galinha, que não seja demasiado concentrado e que não queime as plantas, é necessário de quando em vez colocar na capoeira, especialmente debaixo dos poleiros que é onde se concentram mais excrementos, alguma palha, ervas secas, folhas de árvores, especialmente agulhas de pinheiro que fazem um estrume solto muito bom e depois retirar o estrume, fazendo a limpeza da capoeira, uma ou duas vezes por ano, dependendo do tamanho da capoeira e do número de aves que a habitam.

Quando em cima falei daquilo que se pode colocar na capoeira para fazer o estrume, não referi a maravalhas ou fitas das plainas das serrações e carpintarias, um produto que é muito usado, principalmente na cama dos frangos. Não o fiz propositadamente por duas razões: a primeira é que as maravalhas, que não são mais do que lascas de madeira, não são boas para a terra e, para além disso, essa madeira quase de certeza absorveu tratamentos que lhe foram aplicados que podem ser prejudiciais nas culturas.

Não tenho qualquer prova concreta ou justificação científica para o que acabei de dizer no parágrafo anterior, mas já trabalhei em serrações e sei que as madeiras acabadas de serrar são colocadas dentro de um tanque, emergidas num produto tóxico, durante algumas horas. Esse primeiro tratamento dado à madeira destina-se a que as tábuas não enegreçam durante a secagem e, mesmo que posteriormente não seja aplicado mais nenhum tratamento até que a madeira vá para as plainas, isso já me parece motivo suficiente para desconfiar.

E, na minha opinião, existe outro motivo para não utilizar fitas na cama dos frangos que se destine mais tarde a estrume, motivo este que já foi comprovado por mim quando recentemente construí a minha cabana de troncos. Nessa altura fiz uma grande utilização da motosserra, sendo sabido que a serragem com essa ferramenta solta muitas pequenas lascas de madeira, que podem ser comparadas às fitas de plaina. Eu já sabia que isso não era bom para misturar na terra pelo que fiz um amontoado e lancei-lhes fogo, mas de qualquer maneira ficaram muitas dessas lascas numa pequena área de terreno e, exatamente nessa área, a plantação de couves desenvolveu-se muito pouco, em comparação com a restante área da plantação.

Como disse isto é apenas a minha opinião em relação à maravalha e por isso eu não a utilizo, prefiro como já disse, ervas secas não ruins, e folhas de pinheiro.


Couves que levaram estrume. Ao fundo avistam-se as couves
que não foram estrumadas

Estas são as couves que não levaram estrume, que também
são avistadas ao fundo da primeira foto

Para terminar e para comprovar a excelência do estrume de galinha em plantações, apresento duas fotos que mostram duas plantações de couves, feitas na mesma altura com couves iguais e em terreno também igual, apenas afastadas uma dezena de metros uma da outra. Uma levou estrume de galinha e outra não levou nada. Não é difícil adivinhar a plantação que foi estrumada.
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Um comentário :

  1. Olá José. Deixo um pequeno documentário, sobre a criação de frangos industriais:

    https://www.youtube.com/watch?v=P2TsQS92xms

    O problema da madeira (tratada ou não) é que é um elemento muito rico em carbono mas pobre em nitrogénio. Pelo que, para ser decomposta pelos organismos, estes têm que "retirar" o referido nutriente do solo. E claro, que o nitrogénio é o principal nutriente para o desenvolvimento celular de qualquer cultura de folhas verdes (couve, alface, brócolos,etc). Assim sendo, sugeria que composta-se a madeira em conjunto com material verde, por uns seis meses e depois adicionasse ao solo.

    Força com as experiências...

    Phi

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