20 de janeiro de 2011

CONSTRUÇÃO DE MINIATURAS DE NAVIOS

O navio "ancorado" dentro de um móvel envidraçado, feito de propósito para guardar as minhas miniaturas.
Há alguns anos atrás dediquei-me, durante alguns meses, à construção de miniaturas de navios. Já publiquei um artigo com o título “Os Meus Navios”, onde abordei ligeiramente esse assunto, mas agora decidi aprofundá-lo um pouco mais, explicando melhor a forma como procedi e os materiais que utilizei. Era uma actividade que me ocupava muito tempo, pois não utilizava qualquer tipo de peças já prontas como acontece, por exemplo, naquelas construções em que se vão comprando aos poucos todos os materiais já fabricados e em que se faz apenas a colagem e pouco mais.

O que fiz, foi tudo um pouco ao sabor da imaginação, não obedecendo a nenhum modelo ou escala em concreto, socorrendo-me apenas de algumas imagens de quadros ou revistas.

As madeiras que utilizei foram, na sua maioria, aproveitadas de móveis antigos que iam para o lixo ou para queimar, mas, no modelo de que vou falar neste artigo, utilizei também restos de parquet para pavimentos, em madeira de mogno.

Promenor da zona de vante.
As minhas miniaturas, como não pretendem ser cópias de nenhum modelo antigo ou actual, nunca foram baptizadas; são apenas “os meus navios”, uma “Armada” que para mim tem muito valor, não só pelo seu aspecto decorativo, mas também porque marcam uma fase da minha vida em que, quase como por milagre, de madeiras velhas nasceram miniaturas de navios, daqueles navios que na infância me faziam sonhar.

Para o casco deste navio de que passo a falar e que foi o último que construí, utilizei lâminas de madeira prensada (tipo peças do fundo das gavetas) que foram cortadas mais ou menos com a forma do casco, ou seja, mais largas ao meio, estreitando um pouco para o lado da popa e mais para o lado da proa. De seguida, estas peças foram coladas umas em cima das outras, mas de modo a fazerem uma curvatura que foi conseguida com as peças colocadas em cima de dois bocados de madeira e depois forçadas com pesos em cima e pregadas.

A zona de ré.
Depois disto procedi como de estivesse a construir uma casa com tijolos, assentando as pequenas peças de parquet, utilizando sempre cola branca para madeira e deixando já as aberturas para as vigias e para os sítios onde iriam ser aplicadas as peças de artilharia. Toda a estrutura do navio foi construída utilizando quase sempre esse sistema, talvez devido ao facto de naquela altura trabalhar na construção civil e estar assim como que a construir uma casa em miniatura. Era como se as peças de madeira fossem os tijolos e a cola, o cimento.

Antes de proceder à colocação dos mastros e a outras construções na coberta, fiz uma primeira lixagem do material já aplicado, incluindo o casco, que foi feita utilizando uma lixadora rotativa.

Para os mastros, a madeira que usei também foi aproveitada de peças de móveis, na maioria de madeira de castanho, que é uma madeira de grande duração, quase eterna, poder-se-á dizer.

Pormenor dos mastros e cestos das gáveas.
Para as peças mais pequenas, como aquelas utilizadas nos cestos das gáveas, em escadas, corrimões e outras, socorri-me de madeira aproveitada das mais diversas coisas como: palitos das espetadas de carne, lápis de pau, palitos dos dentes, etc. e as escadas para os mastros foram feitas com cordão de nylon, tendo utilizado a seguinte técnica:

Em cima de uma mesa preguei quatro pequenos pregos, (cinco para as escadas do mastro grande) separados por cerca de dois cm. (maior distância na parte correspondente ao fundo e menos ao cimo). As cordas foram atadas aos pregos e esticadas e depois colei as travessas ou degraus de escada, utilizando o mesmo tipo de cola que usei para a madeira, pois esta cola tem a propriedade de ficar transparente quando seca. As escadas depois da cola ter secado bem foram presas ao cimo dos mastros, esticadas e atadas à estrutura do navio, com o método que se pode ver nas fotos.

Quando faltava colocar apenas as velas, o navio foi todo polido, tendo de seguida sido aplicado um produto para protecção da madeira e finalmente envernizado.

Vista aérea do navio com as velas enroladas.
Quanto às velas deste e dos meus outros navios, foram feitas com cartolina, o que é talvez o seu ponto mais fraco no que respeita a material e a semelhanças com a realidade do que são as velas de um navio. No entanto, nesta miniatura de aqui falo, já fiz a colocação de novas velas, em pano, mas não ficaram do meu agrado, pelo que as enrolei nos mastros, estando à espera que “soprem novos ventos” que me levem a fazer outras com um tecido mais apropriado do que este, que foi extraído de um lençol velho.

Para terminar, quero fazer também referência às peças de artilharia e às âncoras para as quais utilizei chumbo que foi aquecido até ficar em estado líquido, após o que foi vertido em moldes preparados previamente para ficar com a forma pretendida.

Quem tiver gosto por este tipo de ocupação, tempo livre e móveis velhos que já não sirvam para mais nada, pode embarcar nesta aventura da construção naval. A recompensa final é óptima: um belo adorno para casa e a satisfação pela obra realizada.


16 comentários:

  1. Que lindo trabalho José Alexandre!! Parabéns!!

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  2. Boa tarde Amigo Alexandre
    Marinheiro que se preze não pode deixar de ter réplicas de navios em casa...é inevitável. Adquiridos ou manufacturados eles lá estão, e o amigo não podia deixar isso em branco.
    Parabéns, gosto do seu trabalho, acho que deve continuar e aguardamos mais construções.
    Um abraço
    Camilo

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  3. Caros amigos:
    Agradeço imenso as vossas palavras de apreço.
    Quanto a continuar com estes trabalhos vai ser difícil pelo menos a curto prazo, mas é possível que daí a algum tempo faça mais qualquer coisa do género.
    Um beijo para a Cintia e um abraço para o Camilo.
    José Alexandre

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  4. O José é um artesão, um artista. Que maravilha!
    Os meus parabéns.
    Um abraço.

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  5. Muito bom! Continue sempre assim. Que nunca lhe falte a destreza e a imaginação.

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  6. Lindo Barco José Alexandre, queria saber como comprar um desses.

    Jailton Abreu
    jailtonabreu@gmail.com

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  7. Caro Jailton Abreu,
    Comprar um barco exactamente igual a este não vai conseguir porque este foi imaginado e construído por mim e é, por isso, completamente original e único. Mas com facilidade encontrará em lojas de artesanato outros parecidos ou até réplicas em miniatura de diversos tipos de navios.
    Os meus cumprimentos.
    José Alexandre

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  8. madeirartsthoni@gmail.com15 de janeiro de 2012 01:24

    Caro Joalex. Fico feiliz e admirado quando vejo o dom que Deus lhe concedeu ser devolvido a nós pela sua art. parabéms e continue construindo mais peças e publicando para o nosso deleite visual. abrç do amigo Thoni.

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    1. Caro amigo Thoni:
      Obrigado pelas palavras amáveis. Vou tentar construir mais barquinhos e, claro, vou publicar aqui as fotos para todos verem.
      Conto sempre com as suas visitas.
      Um abraço.

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  9. Gostei muito de sua história e de seus modelos. Mas pessoalmente acredito que suas naus deveriam ser nomeadas.

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    1. Acho que tem razão. Deveria ter dado um nome às naus, mas não o fiz por não se tratar de réplicas fiéis de navios de outros tempos. Talvez ainda o venha a fazer.
      Obrigado pelo comentário.

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  10. São maravilhosos..... Um trabalho fantástico!!!

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  11. Voce bem que poderia ensinar como se faz uma maravilha dessas,
    tipo, que material, que comprimento, largura....essas coisas.
    belissimo trabalho, muito original, parabéns.


    Caso queria ensinar, meu email: ph1432@hotmail.com

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    1. Olá Sobradinho, obrigado pelo comentário.
      Eu acho que no texto já expliquei mais ou menos como fiz. No entanto vou tentar em breve atualizar o artigo com mais alguns pormenores.
      O essencial para se construir uma coisa destas é puxar um pouco pela imaginação. Cada um procede de acordo com os materiais que tem disponíveis, com o tipo de miniatura que pretende, etc. Depois é preciso paciência e algum jeito para este tipo de trabalho.
      Não tenha medo da aventura. Meta mãos à obra e quando tiver alguma dúvida não hesite em contatar.

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  12. Olá! Vc aceitaria uma encomenda? Obrigada

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    1. Olá Adriana!
      Não aceito encomendas, as minhas naus não são para vender, mas agradeço muito a sua visita e a pergunta que colocou, o que de algum modo significa que gostou do meu trabalho.
      Os meus melhores cumprimentos.

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