AS SANDÁLIAS DO PESCADOR OU A MINHA PRIMEIRA IDA AO CINEMA

Hoje vou começar a falar de cinema aqui no “Meio Século”. Ou melhor, vou recordar os tempos da minha juventude quando ia ao cinema, porque, na verdade, nos últimos trinta anos podem-se contar pelos dedos de uma mão as vezes em que assisti a uma sessão. E eu que gostava tanto de cinema! Mas quando ainda somos novos existem sempre condicionantes que nos impedem de fazer aquilo de que gostamos e com o passar dos anos já começa a ser difícil retomar hábitos antigos.

Fui ao cinema pela primeira vez quando tinha cerca de treze anos. Vivi uma autêntica aventura nessa noite, pois na minha terra não havia sala de cinema e para assistir a um filme era necessário fazer uma deslocação de cerca de 12 Km. Como andava em “pulgas” para ver um filme no cinema, resolvi ir sozinho, de bicicleta, tendo saído de casa enfrentando uma noite escura de inverno. Ainda não ia a meio do caminho quando começou a chover. Como normalmente acontecia nestes casos, o dínamo da bicicleta começou a patinar, ficando quase sem luz. Mas o meu espírito aventureiro impediu-me de voltar para trás e continuei, iluminado por esse espírito e pela vontade de ver um filme no grande ecrã pela primeira vez.

Quando cheguei ao cinema o meu estado era bastante deplorável: estava encharcado até aos ossos e com água a pingar dos cabelos. Por esse motivo o funcionário da bilheteira olhou para mim com um ar que me pareceu de troça ou desdém, mas talvez fosse impressão minha. O colega que estava a acompanhar os espectadores para os respectivos lugares pareceu-me mais simpático, pois devia ter achado graça ao meu estado e pintou um largo sorriso de divertimento.

A sessão já tinha começado e, na altura, não identifiquei o filme que estava a passar. Devo dizer que não me tinha preocupado em saber qual era, pois o que eu queria era ir ao cinema. Passado algum tempo, talvez meia ou uma hora, comecei a ficar “secado”, pois tinha imaginado que um filme passado no cinema devia ser cheio de acção, com muitas perseguições e tiroteio e com o herói no final a casar com uma bela princesa e a ser feliz para toda a vida. Na altura não fiquei a saber como é que a história terminou, porque não esperei pelo fim. Estava decepcionado com o tipo de filme que me tinha calhado na minha estreia como espectador de cinema e, a lembrar-me dos doze quilómetros que tinha pela frente, para regressar, resolvi discretamente abandonar a sala e pôr-me a caminho de casa.

Só mais tarde é que soube a verdade sobre aquele filme: Um épico do cinema, baseado no célebre romance de Morris West, nomeado para dois Óscares e protagonizado por Anthony Quinn, com o título “As Sandálias do Pescador”!

Ainda hoje sinto alguma vergonha pela desconsideração que tive por esse filme na altura.

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Comentários

  1. AS SANDÁLIAS DO PESCADOR O QUE PODE-SE
    COMENTAR DE UMA OBRA PRIMA.
    QUASE SEMPRE ESCUTO A SUA GENIAL TRILHA SONORA
    JÀ COLOQUE EM VARIAS EDIÇÃO`PERDO-ME POR TER
    USADO SEM PERMISÃO

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