ALTERAÇÕES NA MOTOENXADA


As jantes colocadas ao contrário, aumentaram
a distância entre as duas rodas.
Depois do sucesso que obtive com a alteração do rodado dianteiro da minha moto-enxada, à qual apliquei duas jantes de um Renault 9, colocadas ao contrário, tendo originado uma muito maior estabilidade da máquina, resolvi agora fazer outra pequena modificação, desta vez no depósito de combustível. Mas, ainda em relação ao rodado, quero realçar o sucesso da alteração, devido ao acréscimo de segurança que proporcionou, uma vez que o aumento conseguido na distância entre as rodas impede que a máquina possa tombar, pelo menos com tanta facilidade como acontecia anteriormente, devido à pouca largura do rodado. Aliás, penso que esse é um ponto fraco destas pequenas máquinas, pelos menos das mais antigas, quando em serviço de reboque em terrenos irregulares.

Quanto ao tanque de combustível, o que aconteceu foi que já andava há bastante tempo a ter problemas com o filtro, ou seja: a máquina deixava de funcionar correctamente, devido ao lixo acumulado no depósito o que obrigava a mudanças de filtro frequentes. O lixo nada mais era do que pequenas lascas de ferrugem e, quando me apercebi da verdadeira dimensão do problema, o depósito já estava com três pequenos furos no fundo e a verter algum gasóleo.

Pensava, erradamente, que esse combustível impedia a formação de ferrugem no interior do tanque, devido ao seu teor gorduroso, mas a verdade é que a metade da parte de baixo, portanto a que estava mais em contacto com o líquido, mesmo com a máquina parada, era a que estava em pior estado, o que, para mim, foi um pouco surpreendente.

O depósito enferrujado.
A minha primeira acção para resolver o problema e tentar recuperar o tanque foi fazer a limpeza do seu interior, pelo que lhe enfiei para dentro algumas pequenas pedras britadas e, juntamente com um pouco de água e detergente, agitei o recipiente de modo a que a ferrugem se soltasse. Tencionava depois tapar os três pequenos furos, o que não parecia difícil e de seguida, com um spray anti-ferrugem, pulverizar o interior do tanque de modo a impedir a formação de mais ferrugem.

Não cheguei a fazer isso porque, entretanto, dei comigo a pensar que o gasóleo iria, passado algum tempo, talvez, descascar a tinta e portanto o problema regressaria, ainda mais agravado,

Então decidi que o melhor seria comprar um depósito novo, mas quando fui informado da importância que custava, resolvi mudar de ideias e tentar uma solução mais barata. Disseram-me que custava 49 euros mais IVA, o que pelas contas rápidas que fiz, deduzi que teria de pagar cerca de 60 euros mais o custo de um filtro novo, o que nos dias que correm me pareceu uma importância exagerada para um pequeno recipiente de metal de apenas cinco litros que, provavelmente estaria, passado algum tempo, a desfazer-se em ferrugem.

Para um grande mal este não me pareceu um grande remédio, caso o material não tivesse a qualidade necessária para impedir a oxidação, pelo que tive a ideia de fazer um em plástico, que teria, neste caso, de ser conseguido através da adaptação de um recipiente desse material.

O novo depósito.
Depois de muito procurar lá consegui encontrar um jerrican de cinco litros, com as dimensões apropriadas, mas que teve de sofrer algumas intervenções. Para poder servir como tanque de combustível, o recipiente ficou invertido, pelo que no fundo, que passou a cimo, levou a abertura para a entrada de combustível, tendo ali colocado a rosca, que extraí do anterior depósito, assim como a tampa.

O filtro, que antes funcionava no interior do depósito é agora um pouco diferente e está aplicado no exterior, ligado ao tubo que vai do depósito à bomba de gasóleo. Tem a vantagem de estar à vista para se poder verificar se há sujidade e também de recordar que está ali para ser mudado de vez em quando. Mas, dada a natureza do material do novo depósito, (plástico) que não enferruja, é provável que não fique tão facilmente colmatado como acontecia anteriormente.

Bom… para já está a funcionar tudo muito bem. Poderá ser um recurso provisório, que talvez passe a definitivo se, como espero, o recipiente se aguentar, não digo para sempre, mas pelo menos durante um tempo razoável. É que, não contando com o trabalho que deu, (mas nestas coisas eu não contabilizo o trabalho porque gosto de o fazer) poupei mais de 50 euros, porque o material que utilizei (recipiente, filtro e abraçadeiras, custaram menos de 10 euros.

Estava já a fazer os trabalhos finais da aplicação do novo depósito, quando comecei a interrogar-me sobre se este assunto poderia ter algum interesse para ser aqui publicado. Talvez pareça um pouco banal, pensei. Afinal, quem é que se vai interessar por um “chanato” destes só para poupar uns míseros 50 euros? Só um pobretanas como eu, concluí.

Foi então que a minha imaginação começou a voar, ou talvez a delirar…

E se fosse engenheiro? Construiria pontes, barragens, grandes obras… Exporia os meus planos no blogue e teria imensas visitas!

Então lembrei-me do meu artigo anterior sobre a aldeia de Tamasinhos e mudei de ideias:

Não, eu não era engenheiro; era antes um famoso arqueólogo, que fazia importantes descobertas nos sítios mais recônditos do Globo, que explorava cidades perdidas no interior do continente americano, na Ásia, em África… encontrava tesouros preciosíssimos e civilizações de que ainda ninguém tomara conhecimento...

Recebia convites para explorações em Marte...
Recebia convites de importantes organizações internacionais para comandar expedições a locais onde nunca, até então, alguém ousara pisar… até a NASA se rendia ao meu sucesso e me convidava para chefiar equipas de cientistas e para participar em viagens de exploração a Marte e a outros planetas ainda inatingidos!

Interpretava filmes épicos, realizados pelos maiores cineastas do mundo, que se digladiavam para obterem a minha participação exclusiva nas suas grandes metragens; era um novo Indiana Jones, que atraía milhões de pessoas, em todo o mundo, às salas de cinema.

Continuava a escrever para o blogue, onde contava as minhas aventuras e tinha milhares de seguidores e comentários aos montes. A minha página do Facebook todos os dias era inundada com inúmeros pedidos de amizade e, pelo correio, chegavam cartas perfumadas das mais belas mulheres do planeta, declarando-me o seu amor incondicional…

De repente, ao meu lado, escutei uma gargalhada de escárnio e, de seguida, uma voz em tom sarcástico, falou:

- Então José… é com essa maquineta que vais fazer as explorações em Marte?!!!

O alicate que segurava entre os dedos sujos de óleo escorregou lentamente e caiu com estrondo no chão de pedra da minha garagem. Ao meu lado estava Harrison Ford, com um sorriso trocista nos lábios.

Quis balbuciar algumas palavras mas não consegui, tamanha era a minha surpresa. Então, de repente, a visão esfumou-se e eu despertei e regressei à realidade: Ali estava eu, reduzido à minha insignificância, a improvisar um depósito de gasóleo, para não ter de gastar 50 euros!

No entanto, naquele momento, senti-me muito bem, feliz com aquela realidade: Afinal, podia ser rico sempre que quisesse. Para isso bastava sonhar!



Comentários

  1. Amigo José Alexandre
    Dou-lhe os meus parabéns pela capacidade criativa que o amigo possui e manhas de engenhoca.
    Eu quando me proponho a criar algo do género...das duas uma ou não funciona ou saltam peças.
    Mas pelo que tenho visto nas suas postagens, habilidade não lhe falta, e isso é bom, sobretudo nos dias que correm em que auguro que futuramente vamos ter muito que improvisar.
    Nunca deixe de sonhar, pois como diria o poeta: quando Deus quer, o homem sonha e a obra nasce...
    Além disso sempre que o homem sonha o mundo pula e avança...e estou certo de que um dia faremos viagens a Marte...é tudo uma questão de tempo.
    Um abraço
    Camilo

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  2. Amigo josé Alexandre
    Parabéns, pela capacidade criativa e pela forma simples como descreves a alteração efectuada.
    Os textos das tuas postagens são como um livro, fácil de ler e de entender.
    Consoante ao sonho meu Amigo,sonha pois é a única coisa que ninguém nos pode tirar.
    Um Abraço
    António moleiro

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  3. Amigo alexandre!
    Agradeço a sua oservação sobre a bike reclinada que vou construir, e pensso que seja possivel fazer percursos grandes mas só depois de testar é que irei ver.
    O excelente improviso que fez com o deposito de combustivel, ficou melhor que um de origem , dura mais e poupou 50 euros o que se poderá estragar será o filtro e a mangueira mas isso levará anos e é facil substituir.
    Um abraço e bom ano e já sabe que sou seu visitante .

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  4. to viciando , descobri hoje este blog e parece um livro, vc deveria ser escritor.

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  5. Eu ainda estou por aqui, a ler os posts todos, porque já sei que vou colocar em prática algumas das coisas que aqui estou a aprender. Escrita simples de ler, tudo muito didáctico, obrigada amigo por inspirar quem está a iniciar a sua senda na terra, como eu. C.

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    1. Obrigado pelo comentário. Fico muito contente pelas palavras e pela ajuda que, eventualmente, lhe tenha dado com a leitura do blog.

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