A EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE REPRODUÇÃO DE DOCUMENTOS



Todos os equipamentos de trabalho, sejam profissionais ou domésticos, sofreram nos últimos 50 anos uma grande evolução no sentido não só de uma maior produtividade, mas também da melhoria das condições de trabalho: produzir mais com menor esforço. Muitos novos equipamentos foram também surgindo com a mesma finalidade e quem tem já um percurso de trabalho com algumas dezenas de anos sabe bem que agora não é necessário tanto esforço para efetuar o mesmo trabalho que fazia em tempos mais recuados. Nós que já temos alguma idade e experiência por vezes queixamo-nos, mas sabemos bem que as coisas são assim.

No entanto, há sempre um reverso da medalha e toda esta evolução tem o grande inconveniente da redução da mão de obra necessária para levar a cabo a execução de muitos trabalhos. Estou a lembrar-me, por exemplo, do trabalho de abertura de estradas e como agora se constroem grandes vias recorrendo a um número relativamente reduzido de trabalhadores, que contrasta com a enorme dimensão dos trabalhos e tudo isso graças ao uso de equipamentos e máquinas pesadas de elevada tecnologia.

Este é apenas um exemplo que me ocorreu, talvez por ser gritante e porque o trabalho nas estradas também já fez parte do meu percurso profissional, mas eu hoje venho falar de equipamentos bem diferentes, mas que sofreram também uma grande evolução no último meio século. Trata-se dos equipamentos de escritório para a reprodução de documentos, atividade a que me encontro profissionalmente ligado neste momento.

Quando, em finais dos anos 60, trabalhava no escritório de uma empresa de madeiras, o método utilizado para fazer a reprodução de documentos era através de folhas de papel químico entremeadas com algumas folhas de papel de escrita que se introduziam na máquina de escrever conseguindo-se assim uma ou mais cópias do documento que se estava a datilografar ou, então, procedia-se de igual modo quando se estavam a produzir documentos manuscritos, como faturas ou recibos. Neste último caso, ainda existem casas comerciais que utilizam esse método.

Nesta altura já o invento da xerografia, processo de impressão que utiliza eletricidade estática para a reprodução ou cópia de documentos ou imagens, tinha mais de trinta anos e a primeira fotocopiadora cerca de uma dezena, no entanto, as máquinas fotocopiadoras ainda demorariam algum tempo a chegar aos escritórios das pequenas empresas cujos trabalhos de escrita, naquela época, se resolviam com a ajuda de uma máquina de escrever e meia dúzia de canetas ou esferográficas.

Um duplicador de stencil, da marca Gestetner. 
Nos serviços onde era necessário fazer a reprodução de grandes quantidades de documentos utilizava-se o método de duplicação por stencil. Para imprimir com essas pequenas máquinas inventadas no início do século XX, fazia-se manualmente, ou com a ajuda de uma máquina de escrever, uma matriz em papel impermeável com perfurações que permitiam a passagem da tinta, normalmente a base de álcool. Colocava-se a matriz num pequeno cilindro poroso cheio de tinta e girava-se uma manivela que o punha a rodar. A força centrífuga impelia a tinta através da matriz e esta imprimia diretamente o papel. O custo era extremamente baixo, mas a impressão muitas vezes tornava-se quase ilegível, sendo o processo muito trabalhoso e desgastante.

Um duplicador digital com o cilindro e o recipiente da tinta à vista.
Na década de 80 surgiram os duplicadores digitais que têm o mesmo princípio básico de funcionamento. Nesses equipamentos, um scanner digitaliza o original impresso e grava uma matriz em papel especial, designado de master, que é afixado automaticamente num cilindro pelo qual flui a tinta, bombeada de forma constante por meios mecânicos e que imprime diretamente o papel. As opções de funcionamento como a qualidade de imagem ou velocidade de impressão são comandadas por circuitos eletrónicos.

No meu local de trabalho atual ainda existe um duplicador de stencil, que já não funciona e que ali se encontra agora como peça de museu. Esta relíquia do passado cedeu naturalmente o lugar a um duplicador digital, uma máquina que permite a obtenção a baixo custo de cópias quando produzidas em número elevado a partir de um só original, pois ali é pouco viável a digitalização de originais para a reprodução de um número muito reduzido de cópias, pois iria encarecer a impressão devido ao consumo de master que isso obrigaria. Esta máquina tem uma boa qualidade de impressão de texto mas é pouco própria para reproduzir imagens pois não tem um bom desempenho na aplicação de tons de cinza. Tem três velocidades de impressão, a maior das quais é superior à da maioria das modernas fotocopiadoras.

Para a reprodução de documentos feita a partir de originais diversos, até há alguns anos atrás utilizavam-se fotocopiadoras xerográficas cuja tecnologia estava ainda muito longe de atingir os níveis de perfeição que hoje possuem. Num local de trabalho em que era necessário fazer muitas reproduções como é o caso de uma reprografia escolar, tornava-se uma tarefa muito cansativa, quando essas máquinas ainda não estavam equipadas com alimentador automático de originais ou sistema duplex (frente e verso automático) pois isso obrigava a estar muitas horas de pé em frente da máquina colocando e virando os originais no vidro e voltando a colocar as folhas já impressas de um lado nas bandejas para a impressão no verso.

Isto tinha também o inconveniente de se estar a receber constantes radiações e reflexos provenientes da forte luz da fotocopiadora, muito prejudicial para a vista, para além da inalação do forte odor proveniente do toner e do revelador, considerados muito tóxicos. O operador destas máquinas, habituado a esses odores, já quase não os nota, mas a quem entra numa sala onde se encontra uma ou mais fotocopiadoras em funcionamento constante constata imediatamente o forte cheiro proveniente da fusão do toner e já tem acontecido os utentes desses espaços fazerem observações ou advertências tipo: “cheira aqui a queimado” ou: “está aqui um cheiro esquisito”.

Para além desses inconvenientes, a manutenção das máquinas fotocopiadoras mais antigas era também algo complicada e muitas vezes acontecia durante a substituição de alguns componentes e consumíveis ou na sua limpeza interna acontecerem derrames de toner e partículas desse pó andarem pelo ar e serem involuntariamente inaladas. É voz corrente que a inalação dessas partículas podem ser prejudiciais à saúde e alguns estudos recentes apontam essa possibilidade. De resto, a composição do toner: resinas poliéster, ceras, pigmentos e aditivos, parece um pouco assustadora, no entanto, a mãe da xerografia, a Xerox, não parece alinhar nessa opinião de insalubridade sobre o toner e num estudo iniciado há mais de trinta anos atrás sobre a toxicidade do toner e também de outras matérias estreitamente relacionadas, como poeiras de polímero, em que foram utilizados roedores que foram expostos a níveis baixos, médios e elevados de inalação de toner, durante a maior parte do seu tempo de vida, não mostraram qualquer efeito sobre a sua sobrevivência ou causas de morte. A Xerox iniciou também uma complexa série de estudos para investigar possíveis consequências adversas à saúde dos seus funcionários, devido à exposição ao toner durante a fabricação do produto. Estes estudos encontram-se em andamento e incluem a saúde dos trabalhadores atuais e uma avaliação das causas de morte para as pessoas que trabalharam na empresa entre 1960 e 1982. As análises até ao momento indicam que os padrões de saúde e mortalidade dos funcionários da Xerox estão de acordo com uma população de trabalho saudável.

A ficha de dados de segurança do toner é em parte baseada nesses estudos e não identifica nenhum risco significativo para a saúde, o que contrasta com a opinião generalizada de que a inalação de toner é prejudicial e também com o estudo da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, feito em 2007, que avaliou 62 equipamentos e mediu a sua emissão de partículas no ar, tendo chegado à conclusão que as impressoras laser podem ser mais perigosas à saúde que os cigarros. No entanto, esse estudo não considera as máquinas fotocopiadoras perigosas, pois embora utilizem tecnologia similar, emitem partículas em volume muito baixo. Esta última observação parece um bocado estranha uma vez que os equipamentos mais modernos são multifuncionais e a nocividade emitida pela máquina, aparentemente será a mesma, seja a fotocopiar ou a imprimir.

Um moderno equipamento com finalizador incorporado.
De facto, os mais recentes equipamentos de reprodução de documentos, possuem muitas e variadas funções que vão desde a simples fotocópia feita pelo utilizador local até à impressão à distância feita por utilizadores em viagem, através de dispositivos móveis compatíveis com email. A tecnologia de ponta usada nestas máquinas permite a obtenção de documentos de texto e imagens de grande qualidade, com um menor consumo de energia, isto também devido à evolução da composição do toner que agora funde a uma temperatura mais baixa.

Para além disso estas máquinas vêm preparadas para trabalhar com equipamentos opcionais, que são anexados ao dispositivo, tais como finalizadores que permitem a separação, agrafamento e ou dobragem das folhas, alimentadores de papel e bandejas de receção de alta capacidade.

A manutenção destas máquinas também foi bastante simplificada e todos os consumíveis e alguns componentes são facilmente substituídos pelo operador, sem necessidade de intervenção técnica, o que representa também uma grande evolução, pois um grande problema de algumas máquinas mais antigas era a sua assistência técnica, especialmente quando submetidos a um grande volume de trabalho. 

Sites consultados:

(Noticia sobre os malefícios das impressoras)

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Comentários

  1. Gostrai de saber o vlr deste equipamento..
    eleniltonpinheiro@hotmail.com

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    1. Seja bem vindo e obrigado pela visita.
      Confesso que não sei qual o valor do equipamento. A máquina da foto tem um finalizador incorporado que naturalmente é facultativo e encarece o seu preço. Sei que existem empresas que fazem contratos com clientes, que incluem os equipamentos e o fornecimento de manutenção e de todos materiais necessários, como toner,fotorrecetores, etc.

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  2. Gostaria de saber como faço pra molhar a fita porque a minha secou ?

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    1. Acho que se refere à fita da máquina de escrever e que o melhor será adquirir um novo rolo.

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