Motores de rega

Motobomba de 1 polegada.
Agora que os antigos engenhos para rega, que ainda existem instalados nos poços de pequenas propriedades, na sua grande maioria já não funcionam, quem quer ter a sua horta e cultivar as suas batatas, couves, etc., tem de recorrer, inevitavelmente, a um motor de rega, seja ele eléctrico ou de combustão, pois elevar a água com uma picota, cegonha ou gaivota aqueles instrumentos arcaicos de que já falei neste blog, parece, nos tempos que correm, um exercício demasiado violento e pouco produtivo. Os sistemas eólicos por outro lado são demasiado caros e certamente não compensaria a sua instalação para regar apenas uma pequena horta, a não ser que alguém com habilidade consiga construir um. No blog estão também alguns artigos que mostram como isso poderá ser feito, mas, sem qualquer dúvida, os motores de rega são os sistemas mais utilizados.

Atualmente, muitos poços existentes em quintais, ou mesmo em pequenas propriedades rurais têm uma baixada elétrica instalada propositadamente para o funcionamento de motobombas eléctricas. No entanto, ainda há quem não tenha luz no seu quintal ou numa pequena propriedade isolada e por isso a solução é o motor de rega a gasolina ou gasóleo, ou mesmo a petróleo. Estes últimos são mais antigos e têm vindo a desaparecer, substituídos pelos motores a gasolina de dois ou quatro tempos.

Ainda me recordo dos motores antigos que funcionavam a petróleo carburante ou tratol, como também é conhecido esse combustível, e embora nunca tivesse possuído nenhum, cheguei a fazer regas com esse tipo de motores. O depósito de combustível dessas motobombas tem dois compartimentos, sendo que um é maior e é para o petróleo. O outro serve para a gasolina, combustível que era normalmente utilizado apenas para fazer o arranque do motor, pois a gasolina era bastante mais cara do que o petróleo. Depois do motor estar a trabalhar regularmente fechava-se a torneira da gasolina e abria-se a do petróleo. Hoje em dia é difícil encontrar petróleo para os motores e não creio que compense muito fazer funcionar o motor com esse combustível.

Esses motores antigos, depois de algum tempo de serviço, começavam a ganhar as suas “manias” e por vezes era uma inquietação para os pôr a trabalhar e mesmo depois de estarem a funcionar paravam frequentemente. Possivelmente seria falta de manutenção, mas quase ninguém arriscava entregar o motor a um mecânico por causa dos custos, a não ser que se tratasse de uma avaria grave, que o proprietário não conseguisse resolver.

Creio que esse problema ainda hoje se mantém, com a agravante de existirem poucos profissionais a fazerem esse trabalho que, normalmente era feito nas oficinas de motorizadas. Acontece que essas oficinas têm vindo a encerrar quase todas, o que não é muito de admirar se tivermos em conta o número diminuto desses veículos que se vêm a circular nas estradas, pois agora a tendência é viajar “enlatado” como dizem os motards.

Ainda, em relação ao petróleo como combustível de motores, creio que qualquer motor a gasolina poderia funcionar a petróleo desde que o arranque fosse feito com gasolina e, fazendo um pequeno aparte, eu tive há muito tempo uma velhinha motorizada Sachs Lebre que funcionava a petróleo, tendo para isso lá improvisado um pequeno recipiente para a gasolina que apenas servia para o arranque. Essa motorizada tem uma história com vários episódios um tanto trágico-cómicos, como quando um dia depois do trabalho me preparava para arrancar em direcção a casa e a moto começou a andar para trás… É uma história engraçada, mas que sai do âmbito deste artigo e por isso voltarei a ela noutra altura.

Voltando aos motores de rega eu, pessoalmente, como não tenho eletricidade na minha horta, adquiri um motor a gasolina a dois tempos de 1 polegada, cujo caudal não sendo muito elevado é suficiente para fazer a rega dos meus produtos hortícolas. Esse pequeno motor tem uma bomba auto-ferrante, bastando meter um pouco de água na bomba para ele ferrar automaticamente. Lembro-me de o vendedor dizer que ele tem um poder de sucção de até seis metros e, na minha propriedade, ele eleva a água de um poço a cerca de quatro metros de profundidade e faz o seu transporte durante 80 metros, até uma altitude de três metros. Para além disso a água sai com uma boa pressão, o que permite fazer rega por aspersão. Parece-me bom para a potência que tem, no entanto também já me deu alguns pequenos problemas, ou melhor um problema que tem sido repetitivo com alguma frequência que não é mais do que o carburador entupido. Tenho conseguido resolver o problema desmontando o carburador e fazendo a sua limpeza, mas acho que a breve trecho terei de comprar um motor com mais potência, pois tenho a consciência de que estou a exigir um esforço demasiado grande para a sua capacidade, uma vez que o poço fica muito longe da horta. Mas a verdade é que tem aguentado muito bem e cumprido a sua missão.

Folheto publicitário dos motores de rega Casal.

Este motor não tem qualquer chapa onde possam ser encontrados dados sobre o fabricante ou mesmo sobre as suas caraterísticas. Creio que essas indicações estavam num autocolante em papel que, entretanto, se sumiu. Também não tenho em meu poder nenhum manual sobre o motor, acreditando que tal não me foi entregue quando o adquiri, uma vez que costumo guardar esses documentos. Não sei, por isso, qual o país onde foi fabricado, mas tenho quase a certeza que se trata de um motor importado, pois não tenho conhecimento se produza atualmente motores deste tipo em Portugal. No entanto já foram cá produzidas motobombas para a agricultura por Metalúrgicas que se dedicavam principalmente à produção de veículo de duas rodas, as célebres motorizadas. Várias empresas as fabricaram como a Pachancho, Oliva, Vilar e também a Casal, esta última a empresa que produziu a primeira moto portuguesa com 125 cm3 de cilindrada.

Estes novos motores funcionam unicamente a gasolina, ou gasolina com mistura de óleo (caso dos motores a dois tempos) e como têm o depósito de combustível no fundo, para fazer o seu arranque é necessário pressionar um bolbo de borracha que se encontra debaixo do carburador, até que o combustível chegue ao carburador e comece a descer ao tanque pelo tubo de retorno. Desde que se proceda corretamente, fechando o ar quando o motor está frio, o arranque é normalmente fácil e o motor só pára se faltar a gasolina.

Pequeno vídeo com o motor a funcionar.


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