Substituir ou reparar câmara de ar furada em poucos minutos

Substituindo câmara de ar no cimo de uma serra.
Depois de andar de bicicleta há meio século e de ter feito tantos quilómetros que, muito provavelmente, dariam para dar meia dúzia de voltas ao mundo e de ter substituído e remendado um número incalculável de câmaras de ar, aconteceu-me há dias, pela primeira vez, terem furado as duas rodas praticamente em simultâneo. Esse facto levou-me a vir falar no blog de substituição de câmaras e aplicação de remendos. Já há muito tempo que pensava em abordar este tema, mas ele tem vindo a ser sucessivamente adiado, pelo simples facto de que a Internet está cheia de artigos sobre isso, seja em sites, blogues ou em fóruns de ciclismo, etc. e esse assunto embora não esteja esgotado, nunca nenhum assunto o está, este artigo poderá ser apenas mais um no meio de muitos, que pouco ou nada de novo virá trazer aos utilizadores de bicicletas. Mas, ainda que assim seja, decidi dar também o meu contributo para tentar minimizar os contratempos causados pelos furos, contratempos que todos gostariam de poder dispensar.

A verdade é que os furos acontecem quando menos se espera e é preciso estar preparado para os reparar, sob pena de a arrelia que eles causam seja muito maior, pois isso poderá implicar ter de recorrer a terceiros para regressar a casa ou então fazer uns bons quilómetros a pé o que me parece ser desprestigiante para um ciclista.

Um coisa essencial é pedalar sempre munido de pelo menos uma câmara de ar, melhor ainda é trazer duas e também um tubo de cola e alguns remendos de diferentes tamanhos. E também, claro, de algumas ferramentas em que não podem faltar as peças para desmontar os pneus, lixa para raspar as câmaras e, claro está, uma bomba portátil.

Inflar câmara de bicicleta de
estrada, usando adaptador.
Quem pratica ciclismo de estrada e também de montanha sabe que os furos nas câmaras muito finas das rodas de estrada são mais difíceis de reparar do que nas câmaras de BTT, desde logo pela diferença no tipo de válvula de cada uma delas. Acho que as válvulas das câmaras de BTT, válvulas Schrader, iguais ou idênticas às das rodas dos carros, são muito mais praticas e fáceis de inflar e, embora as pequenas bombas portáteis que usamos nas bicicletas, estejam preparadas para encher tanto umas como outras, invertendo a peça do bico, é muito mais difícil encher uma câmara de bicicleta de estrada, exatamente pelo tipo de válvula (válvula Presta) com que elas estão (ou pelo menos a maior parte está) equipadas. Por esse motivo utilizo um adaptador que eu próprio fiz, cortando um pequeno pedaço de uma válvula que tirei de uma velha câmara de motorizada. Enrosco essa peça na válvula da câmara de estrada e assim me vou desenrascando. Resolvi proceder assim desde que um belo dia, a mais de 50 km de casa, tive um furo e depois de ter dado um pouco de ar à câmara para tentar detetar esse furo, ao soltar a bomba da válvula parti o pino do interior, ficando a câmara inutilizada. A minha sorte foi trazer uma câmara suplente que salvou a situação. A partir dessa altura, para além de utilizar sempre o adaptador, passei também a trazer sempre uma ou duas câmaras de ar, dependendo do percurso.

Válvula Presta e adaptador "caseiro"
A razão de utilizar um adaptador feito a partir de uma válvula do tipo Schrader é devida ao facto de nunca conseguir encher as câmaras com os adaptadores normais que tenho encontrado. Acho que o motivo se prende com o tamanho dos adaptadores que talvez seja inadequado. Para além das dificuldades com as válvulas Presta, as câmaras finas de estrada, apesar de levarem menos quantidade de ar, são mais difíceis de encher por causa da pressão elevada que necessitam e, ao encher com o adaptador, sai ar pela parte onde o adaptador enrosca na válvula. Para resolver esse problema costumo colocar um pouco de fita teflon (daquela fita que é usada nas roscas das torneiras) na rosca das válvulas, de modo a que não saia ar por aí.

Quando tenho furos na estrada, avalio sempre a situação de modo a escolher entre reparar a câmara no local ou fazer a sua substituição, uma vez que viajo sempre prevenido para as duas soluções. Quando utilizo a bicicleta de estrada e o furo é na roda de trás, normalmente reparo no local, se entender que vale a pena, pois, atualmente, as câmaras de ar não são caras e pode não compensar estar a gastar cola e remendos com uma câmara já muito usada, com muitos remendos e, especialmente, se o furo que vamos tapar for grande e exista a probabilidade de o remendo não solucionar o problema. Se entender que a câmara merece mais um remendo, viro a bicicleta com as rodas para cima e desmonto o pneu e a câmara, sem tirar a roda, para poupar trabalho e tempo e também para evitar sujar as mãos com a corrente, porque às vezes para encaixar a roda traseira no sítio a corrente gosta de se intrometer no trabalho.

Por vezes furamos na estrada, mas o furo é muito pequeno, pode ser simplesmente provocado pela fricção da câmara no pneu, então a câmara vai esvaziando lentamente e, por pressa ou por preguiça, entendemos que podemos continuar parando de vez em quando para dar um pouco de ar à roda. Pela experiência que tenho isso é um erro completo, exceto se estivermos muito perto de casa. Já me aconteceu por mais de uma vez proceder assim e acabar por ter de remendar o furo ou substituir a câmara, depois de andar alguns quilómetros e de muito tempo perdido a encher a roda. É que, normalmente, com a rodagem o problema vai-se agravando, o furo alarga e as sessões de bombagem são cada vez mais frequentes, até que chegamos à conclusão que não resta outra alternativa senão meter mãos à obra e fazer a reparação.

Ao montar um pneu é de toda a conveniência verificar o
sentido da rodagem.
Remendar um furo é muito fácil, mas ainda me lembro de quando o fiz pela primeira vez. Inutilizei a câmara de ar, pois servi-me das peças de desmontagem para encaixar o pneu no aro, tendo trilhado a câmara com as ferramentas, em dois ou três sítios. O facto mais engraçado, mas na realidade sem graça nenhuma, é que depois de ter comprado uma câmara nova e de a ter metido no pneu com cuidado para não a trilhar, depois de a encher não tardou muito a estar outra vez vazia. Intrigado e aborrecido com a situação, tirei a câmara para fora, dei-lhe um pouco de ar e verifiquei que estava furada. Naquela altura era muito jovem, mas não era tão burro que não tivesse deduzido que devia estar qualquer coisa metida no pneu, que furava a câmara. Fui verificar e estava um pequeno bocado de arame espetado no pneu. A partir daí nunca mais me esqueci de inspecionar o pneu depois de um furo.

Como disse remendar um furo numa câmara de ar não é difícil, mas antigamente parece que os remendos, mesmo os caseiros, colavam melhor. Fosse pela qualidade da cola, dos remendos ou da borracha o que é certo é que um remendo muito dificilmente se descolava e agora já assim não é, especialmente se o furo for grande. Essa é uma das razões por que estou a optar por substituir a câmara e fazer a sua reparação mais tarde, em casa, para fazer o trabalho com calma e para que fique bem feito. E, tal como disse em cima, pode não compensar estar a reparar a câmara e ser mais vantajoso comprar uma nova. Ainda em relação aos remendos caseiros que atrás mencionei, estes eram simplesmente bocados de câmaras usadas que cortava em redondo. Estes remendos improvisados tinham que ser raspados de um lado e tinham que levar cola. Era uma maneira de poupar em tempos muito difíceis e ainda hoje, em caso de necessidade, isso se pode fazer, desde que a cola seja de boa qualidade.

Uma grande parte dos furos que me têm acontecido são provocados, imagine-se, por silvas ou espinhos do mato. Isso acontece naturalmente porque os pneus de bicicleta têm pouca borracha e são trespassados com facilidade, sobretudo quando estão já muito gastos. Os furos nas duas rodas em simultâneo, de que falei no início do post, aconteceram depois de ter passado num local onde havia silvas e há poucos dias furei a roda da frente em plena serra, pelo mesmo motivo. Resolvi o problema substituindo a câmara no local, trabalho que demorou cerca de quatro minutos. Levava comigo a máquina fotográfica e fiz um vídeo do acontecimento.





Mais tarde, em casa, reparei a câmara de ar e também gravei o trabalho.





Cheguei ao fim do post sem falar do “milagroso” spray anti-furos. Não foi por esquecimento, mas apenas porque nunca usei método para resolver problemas de furos e só o usaria como último recurso. Talvez pareça antiquado, mas a verdade é que não confio muito nisso e aplicação desse spray implica a inutilização futura da câmara. Habituei-me desde sempre a reparar o meu material da forma mais ecológica e económica possível e assim espero continuar.
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