CONSTRUIR A PRÓPRIA CASA - Forno caseiro multifunções

O forno multifunções em aquecimento

Durante cerca de 10 anos trabalhei na área da construção civil. Ao fim de dois anos de prática, como servente, iniciei a minha maior aventura nesta área: a construção da minha própria casa. Na altura foi um feito bastante admirado pela vizinhança devido às condições em que foi realizado pois, após a aquisição de um terreno, lancei-me ao trabalho sozinho e ainda sem grandes conhecimentos teóricos ou práticos da profissão. Não vou hoje falar disso, mas sim de um pequeno projecto, de vários que realizei, idealizados por mim, fugindo um pouco às regras tradicionais da construção.


A construção civil é uma área de excelência para se obterem aprendizagens a vários níveis, devido à diversificação dos trabalhos práticos que se realizam. Nas obras, além da arte comum de pedreiro aprende-se um pouco de electricista, canalizador, pintor, ladrilhador, carpinteiro e até, para quem se interessa pela profissão, um pouco de matemática e contabilidade, devido às medições e avaliação de áreas e espaços e de orçamentação de materiais e recursos que é necessário efectuar para a realização de trabalhos muito diversos. É por isso que nunca consegui compreender algum preconceito que, por vezes, se verifica em determinadas pessoas em relação aos trabalhadores da construção civil, ou os pedreiros, como são mais conhecidos. Há pessoas que se referem a estes trabalhadores denotando algum desprezo e indiferença, talvez devido a andarem quase sempre com o vestuário sujo devido ao trabalho que executam e também por pensarem que são pessoas sem cultura ou pouco inteligentes e mal-educadas.

São totalmente erradas estas ideias. Tomaram muitas das pessoas que assim pensam ter apenas metade da competência da generalidade dos trabalhadores da construção civil. Claro que estas pessoas não distinguem o servente, do pedreiro, do pintor ou do carpinteiro e também não imaginam o quanto é difícil a execução de alguns trabalhos e dos conhecimentos que é necessário ter para os levar a cabo. Falo por experiência própria, pois neste ramo executei trabalhos bastante complexos onde tive de “puxar pelos galões” para os conseguir realizar e onde tive de fazer a interpretação de planos de obra algo complicados. Não quero, de forma alguma, com isto dizer que seja mais inteligente do que a generalidade das pessoas, mas apenas frisar que, algumas vezes, notei a existência desse preconceito, embora agora, com a crise de emprego que leva muitas pessoas com estudos elevados a procurarem trabalho na construção civil, esse preconceito tenha tendências a diminuir e até desaparecer.

Tenho uma imaginação algo fértil e, por vezes, procurei fazer alguns trabalhos particulares nesta área utilizando métodos pouco usuais, tentando sempre fazê-los da forma mais económica possível, mas também com o reverso de uma sobrecarga de mão-de-obra, devido ao facto de fabricar eu próprio os materiais necessários, como blocos e outras peças em cimento. Devo dizer que nem sempre obtive sucesso nestas minhas iniciativas, mas também se aprende com o que corre mal, desde que no futuro se tentem corrigir os erros cometidos.

O pão dentro do forno

Um desses projectos que levei a cabo, com bastante sucesso, foi um forno com a dupla função de cozedura de alimentos e aquecimento de água. Este forno não obedece aos padrões convencionais; é um modelo construído um pouco ao sabor do acaso, seguindo apenas os planos ditados pela minha imaginação. Na parte de baixo tem uma câmara de combustão, situando-se um pouco acima um compartimento quadrado que é o forno de cozedura. Os gases quentes vindos da câmara de combustão giram em volta do forno de cozedura e de uma caldeira situada por cima deste, antes de saírem pela chaminé. Por cima da caldeira funciona um registo que regula a saída dos gases e controla o ritmo do fogo na câmara de combustão. A câmara de combustão e o forno de cozedura foram feitos com materiais refractários, sendo as paredes exteriores compostas de tijolos maciços de barro vermelho.

O funcionamento deste forno é perfeito, permitindo fazer cozeduras contínuas. Poderia se quisesse e tivesse necessidade disso, estar um dia inteiro a cozer pão, com um consumo reduzido de lenha; depois de estar quente o forno necessita de muito pouco combustível para manter a temperatura. Tem também a vantagem de os fumos saírem todos pela chaminé, para o exterior, mantendo o lugar onde está instalado limpo, ao contrário do que acontece com os antigos fornos caseiros. Este forno é muito versátil pois, além de pão, permite a preparação de diversos alimentos desde o fabrico de bolos até à chanfana ou leitão assado.

A caldeira tem a missão de fornecer água quente para os depósitos do sistema solar de que já falei num artigo anterior. Ela faz o papel dos painéis e a água circula também de forma natural, só que aqui instalei uma bomba que faz girar a água mais depressa quando o forno atinge uma temperatura muito elevada. Fiel à minha regra de economia e aproveitamento de materiais utilizei uma bomba de esgoto de uma máquina de lavar roupa que já não funcionava para ajudar à circulação da água, mas que é ligada por pouco tempo, a grandes espaços e apenas por precaução, pois a água, como já disse, circula de forma natural.

O facto de não poder considerar este projecto como um sucesso absoluto é devido ao tipo de caldeira que instalei, que foi nem mais nem menos do que um depósito de GPL de um velho carro que possuo e que já se despediu há algum tempo das estradas. Este utensílio tem o inconveniente de largar alguma ferrugem quando o forno não é utilizado por períodos mais largos, o que obriga ao desperdício de alguma água até que a mesma circule limpa. Tive, no entanto, a vantagem de quando fiz a sua instalação ter aproveitado as bocas por onde entrava e saía o gás, depois de adaptadas, para fazer as ligações da água. Para maior segurança fiz um outro orifício no corpo do depósito para fazer uma saída para servir de respiro, para evitar qualquer possibilidade de explosão. Quando fiz o furo pude constatar da sólida construção do depósito pois a chapa tem cerca de 5 mm. de espessura. Para considerar este sistema prefeito era necessário que tivesse instalado uma caldeira inox, que seria certamente de preço elevado, mas que poderia ter sido um bom investimento.

Outro inconveniente deste sistema reside no facto de, principalmente no verão, existir um excesso de produção de água quente que vai obrigar a algum desperdício para não obrigar os depósitos a suportar temperaturas demasiado altas. Este contratempo já me fez pensar numa possível instalação de uma caldeira na chaminé da lareira, que seria a forma ideal, atendendo a este sistema específico, para ter água quente a custo zero durante praticamente todo o ano, pois a lareira durante o inverno funciona diariamente.

Algum pão já cozido, outro pronto a entrar no forno. A chanfana também já está nas caçoilas à espera de vez.

Na altura em que andava a construir o forno, devido ao facto de ser uma obra invulgar, fui bastante criticado por alguns familiares e amigos que diziam que não iria obter qualquer resultado e que estaria a esbanjar tempo e dinheiro. Apesar de saber que estas críticas eram bem intencionadas, nunca deixei de acreditar no meu projecto apesar de a dado momento, com a contundência dessas opiniões, ter ficado um pouco abalado, pois sabia que se não obtivesse os resultados que esperava iria sofrer uma grande desilusão, além dos prejuízos que daí adviriam. Felizmente tudo correu bastante bem e os que tinham sido lestos a criticar foram os primeiros a felicitar-me pelo sucesso obtido.

Comentários

  1. Que delícia!!
    Fiquei com água na boca de ver esses pães!
    Que coisa boa J. Alexandre, voce esta de parabéns, um ótimo trabalho que realizou ...eu bem gostaria de ter um desses!

    Adorei, Parabéns!

    Cintia

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  2. Boas, o sistema de aquecimento de água está demais. Ando a engendrar há algum tempo um sistema identico ao do aquecimento da água pela lenha, mas para o ar interior que me consome muitos aereos. Tinha pensado em forçar o ar a circular para o interior com uma ventoinha de computador, pois é de baixo consumo. Será que nem isso é preciso? será que funciona como o termosifão? A ideia seria não têr fogo e lenhas dentro de casa para evitar o fumo. Relativamente ao isolamento da zona da queima da lenha (fornalha) que materiais de ligaçao dos tijolos usou? Não estala quando arrefece? Meu e-mail:smurfy@iol.pt abraço e continuaçao com as super carocas. Novidades agradecem-se :)Zé Pedro

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  3. Caro Zé Pedro:
    Acho que com um sistema desses (queimar a lenha no exterior) irá desperdiçar muito calor e por consequência gastar muita lenha, e embora em alguns casos o ar quente possa circular de forma natural, desta forma penso que teria de forçar a sua circulação, para obter algum rendimento. Com uma lareira no interior da habitação e com recuperação de calor iria poupar muita lenha e com melhores resultados. Para se informar melhor deixo-lhe aqui um endereço: http://www.sitiodaslareiras.com/lareiras_componentes.htm
    Quanto à zona de queima do forno, utilizei na ligação dos tijolos refractários, argamassa de areia com cimento refractário, numa mistura de 3 para 1.
    A massa feita com este cimento seca muito rapidamente pelo que é conveniente amassar quantidades muito pequenas de cada vez.
    Mas também existem outros produtos para este trabalho, só que ficam, certamente, muito mais caros. Mas pode informar-se melhor num revendedor de materiais de construção.
    A zona envolvente do queimador foi "abraçada" com argamassa de betão e ferro para evitar que estale após o que levou a parede exterior em tijolos maciços vermelhos.
    Abraço.
    José Alexandre

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  4. exelente digno de ser visto, eu sou padeiro e adoro bricolage, queria por aquecimento central em minha casa so que os recuperadores e a intalação é caricima, e eu como ganho pouco não me é possivel, se eu fizesse uma lareira e mete se uma caldeira de inox por cima sera que dava resultado para me aquecer a casa atraves de radiadores, ou é preciso meter uma bomba da maquina de lavar como o sr fez, podia me ajudar e dizer como fazer para deixar de ter frio em casa, obrigado.

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    1. Uma caldeira na lareira certamente que lhe daria para aquecer a água através de radiadores. Teria que forçar a circulação da água com um motor elétrico e o sistema não lhe iria ficar barato, mas mesmo assim seria, possivelmente, uma boa opção em termos de custos/benefícios. Deverá consultar uma casa especializada em aquecimento para se informar sobre as ofertas existentes, que são muitas, e ver qual é a melhor para si.
      Os meus cumprimentos.

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  5. já me falaram tb numa serpentina em cobre em forma de L no fundo da leira e na parede da mesma? A lareira vai ficar no terceiro piso através de gravidade a agua será que não circula? Ou fazer uma porta de inox para a lareira não obterei um melhor resultado, metendo um respiro na caldeira para não arrebentar? na sua opinião qual é a melhor solução a serpentina ou a caldeira ou ambas? os custos não são muitos a caleira um colega meu faz me de graça, é mesmo só a bomba para fazer a agua circular, mas como sr tinha falado da bomba de esgoto da maquina de lavar será que não resulta no meu projecto? abraço e obrigado

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    1. Sinceramente não sei qual será a melhor solução para o seu caso, mas uma coisa é certa: terá de forçar a circulação da água, pois o sistema de termossifão (circulação natural da água) não funciona desse modo. A bomba de esgoto também não deve servir para o que pretende; no meu caso a água quente sobe de forma natural, tal como acontece com os painéis solares e a bomba era só para o caso da água não circular naturalmente. Como ela circulava mesmo com a bomba desligada acabei por retirá-la.
      Se decidir instalar uma caldeira na lareira deve observar todas as normas de segurança, seguindo os procedimentos corretos, devido ao perigo de explosão.
      Um abraço.

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    2. Estou em Brasil. há nos condicionadores de ar duas serpentinas, a saber, do condensador e do vaporizador, que podem ser encontrada em locais de reciclagem a um excelente custo. Deve-se fazer um teste com ar comprimido afim de verificar possíveis furos antes de usa-las sugiro usar um trocador de calor onde a água circule pelo piso do ambiente dentro de mangueiras de jardim sob tapetes e cochas por explo; onde a aspiração da bomba fique a puxar a agua após circular pelo piso assim ela(água) estará mais fria ao ser injetado no aquecedor(serpemtinas) que estará no interior de vossa lareira

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  6. Era bom era umas fotos da construção passo a passo

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