IV CERIMÓNIA DE ENTREGA DE DIPLOMAS DO CNO DA LOUSÃ

Decorreu ontem, no Cine-teatro da Lousã, a IV Cerimónia de Entrega de Diplomas aos adultos que durante o ano de 2010 obtiveram a certificação equivalente aos 9º e 12º anos de escolaridade no C.N.O da Lousã.

O Sr. Daniel Amaral, no uso da palavra.
A cerimónia iniciou-se com o discurso do Sr. Daniel Amaral, um dos adultos que neste dia recebeu a sua certificação, que falou um pouco do seu percurso tendo sobressaído das suas palavras a seguinte afirmação: se o Estado permite  que nos valorizemos gratuitamente através da certificação de competências, devemos aproveitar essa oportunidade.

O Dr. Tiago Marinho, coordenador do Centro, falou sobre os desafios para o ano 2010, tendo feito um balanço positivo dos mesmos.

Os desafios lançados há um ano atrás.
Este ano comemoram-se os dez anos de vida do C.N.O. da Lousã e o Dr. Tiago Marinho está empenhado em continuar em 2011 o caminho de desenvolvimento do Centro, apostando na continuidade do sucesso obtido e lançando novos desafios, um dos quais é uma maior aproximação aos Bombeiros, para quem é direccionada a sua nova oferta formativa: o RVCC profissional.

O Dr. Tiago Marinho, tal como há um ano atrás, não escondeu a emoção ao falar da sua equipa de trabalho.
Pelas palavras sentidas e fortes do coordenador do C.N.O. da Lousã, nota-se que se trata de um profissional que leva muito a sério o seu trabalho e que acredita profundamente nas aprendizagens ao longo da vida. Desvaloriza críticas a este processo, que sabe que existem mas que são injustas e, como tal, dirige palavras aos adultos certificados dizendo que: não podem nem devem, de modo algum, sentir-se diminuídos por obterem o seu diploma deste modo.

Diz ainda que não concorda com a designação de “adultos” que é dada aos participantes nos processos RVCC, pois estes deveriam antes ser designados de “ensinantes”, pois ele próprio aprende com eles.

Mas o Dr. Tiago Marinho não esconde a sua emoção quando fala da equipa do C.N.O. dizendo que: se é verdade que as pessoas passam mas as Instituições ficam, são as pessoas que fazem as Instituições e como tal estas são o que as pessoas querem que sejam. Estas palavras seriam mais tarde de algum modo corroboradas pelo Presidente da Direcção da E.N.B., quando este no seu discurso afirmou que as pessoas passam pelas instituições mas deixam as suas marcas.

A equipa do CNO recebendo os aplausos do público.
O coordenador do C.N.O. não esconde o orgulho que sente pela sua equipa e fez questão de quebrar o protocolo chamando ao palco todos os elementos que a compõe, os quais receberam uma forte ovação do público presente.

Não podemos ficar para trás, disse outro dos oradores. Temos que estar prontos para os desafios do futuro e quem não estiver preparado corre esse risco, salientando ainda o papel importante das Tecnologias de Informação e Comunicação na vida das pessoas.

O vice presidente da Câmara da Lousã, que presidia à cerimónia, foi o último a discursar fazendo questão de salientar que as palavras de agradecimento anteriormente recebidas pela sua colaboração com o Centro não tinham razão de ser, pois a Câmara simplesmente fazia a sua obrigação, que se estendia também a outras vertentes de ensino do concelho e que o Centro tinham grande importância não só para a Lousã, mas também para a região uma vez que muitos participantes nos processos RVCC eram provenientes de outros concelhos.

No ar ficou a ideia de que o C.N.O. da Lousã se encontra muito bem e que o reconhecimento, validação e certificação de competências dos adultos é um processo que irá continuar e que é preciso que as pessoas não fiquem por aqui e sigam em frente pois que o objectivo deve ser sempre o sonho, que todos podem tornar realidade desde que lutem por ele.

Não posso no entanto deixar de discordar completamente com as palavras de um orador quando disse que “uns estudam primeiro e vivem depois e outros vivem primeiro e estudam depois”. Quanto a mim é uma ideia completamente errada, senão que pensariam aqueles senhores e senhoras, com alguma idade que se inscrevem nas Universidades seniores, por exemplo… será que deixaram de querer viver, ou é precisamente o contrário? E os nossos velhos doutores de hoje, que recordam com imensa nostalgia o tempo passado nas Faculdades, nostalgia tantas vezes cantada em tertúlias coimbrãs e que ficou para sempre imortalizada nas canções de Coimbra. Tempos vividos com intensidade, talvez fosse mais correcto dizer.

Mas… e não é a vida um estudo constante? Nós que aprendemos nessa dura Escola, não estudámos sempre? A descoberta do conhecimento não tem períodos nem épocas na vida das pessoas e quando é feita com gosto intensifica mais e mais a vontade de viver.

A cerimónia terminou com uma projecção de imagens alusivas aos dez anos de vida do C.N.O. da Lousã, que já certificou até hoje mais de 1400 pessoas em termos de ensino básico, tendo sido um dos primeiros seis que surgiram no país, dois dos quais pertencem à Escola Nacional de Bombeiros, como é o caso deste e do C.N.O. de Sintra.

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