História de um limoeiro

Limoeiro
Estive para dar a este post o título de “dê uma malha ou uma coça ao seu limoeiro”, mas achei que poderia parecer um incentivo à violência e decidi escrever antes a “história de um limoeiro” porque, além de ser mais romântico, eu adoro histórias, sobretudo as verdadeiras. Todas têm o seu fascínio, mesmo tratando-se da história de um simples e anónimo limoeiro.

Já falei no blog das árvores de fruto da minha chácara. De todas as árvores que lá estão atualmente, há uma que merece uma referência especial devido à sua invulgaridade e também por ter uma “história de vida” um bocado complicada, um passado difícil, me parece. Afinal as árvores tal como as pessoas nascem, crescem, vivem e morrem. Será que também sofrem?...

Esta árvore, um limoeiro, foi plantada há cerca de dez anos, mas, entretanto, já foi replantado por duas vezes, ou seja, foi mudada de local por duas vezes devido às construções que fui fazendo na chácara. O pobre do limoeiro era sempre plantado no local errado, coitado; parecia um enjeitado que estava sempre a estorvar.

O facto de isso acontecer era devido a um mau planeamento na gestão do espaço, ou mesmo à inexistência de qualquer planeamento, uma vez que tudo era feito de acordo com as possibilidades e com as ideias que iam surgindo. Os limoeiros são árvores que precisam de estar abrigadas do frio, principalmente das aragens geladas do norte e isso pode levar a plantá-las em locais que mais tarde sem vem a verificar não serem os melhores, seja porque não se procurou esse local abrigado ou porque o local sendo abrigado foi, no entanto, preciso para outros fins. Claro que as mudanças neste limoeiro foram feitas quando a árvore era ainda muito pequena e, sinceramente, cheguei a pensar que não sobreviveria, de tão fraca e amarelinha que esteve.

Depois de estar plantada em local definitivo, a árvore ganhou novas cores, mas os anos passavam-se e não havia modo de ver os seus ramos enfeitados com os tão desejados limões. Dava alguma flor mas daí não saía nenhum fruto. Alguém me ouviu lamentar pela improdutividade do limoeiro e disse:

- Tens que lhe dar uma malha para ele começar a dar limões!

Achei esta sugestão bastante absurda e até violenta, mesmo tratando-se de uma árvore e retorqui:

- Bater no limoeiro?!... – Mas, por que carga de água tenho de bater no limoeiro?

- Ó pá, tens que lhe dar umas pancadas no tronco, fazer-lhe uns cortes… – faz isso e vais ver que a árvore vai dar limões.

Nunca cheguei a dar a tal malha no limoeiro e este continuou ainda algum tempo sem produzir, mas apesar de não lhe ter batido a árvore passou um mau bocado, pois tinha calhado que, para ficar abrigada, foi replantada junto a uma pequena barraca que servia de abrigo a galinha e patos e se situava dentro da vedação que construíra para estas aves. Os patos bicavam-lhe o tronco, arrancando-lhe pedaços de pele, de tal modo que acabei por ter de lhe arranjar uma proteção em metal para a base. Entretanto a árvore cresceu e os ventos fortes fustigavam-lhe o tronco e os ramos contra as paredes e telhado da barraca, causando-lhe mossas. Depois, já sem patos, o local começou a servir para arrumação de materiais que sobravam das obras e sempre lhe ia caindo em cima um pau ou uma tábua.

Timidamente o limoeiro começou a dar um ar da sua graça e a exibir alguns limões, mas durante dois anos deu apenas pouco mais de uma dúzia. Finalmente, o ano passado, a árvore cobriu-se de uma enorme quantidade de limões, tantos que deram para o consumo da casa, para dar aos amigos e ainda estão limões do ano passado na árvore, juntos com a produção deste ano, esta ainda maior do que a anterior.

Uma ótima caraterística deste limoeiro e, certamente dos outros também, é que os frutos se conservam o ano inteiro na árvore, sem se deteriorarem, existindo assim a possibilidade de ir colhendo aos poucos e ter limões frescos todo o ano.

Afinal a tal coça no limoeiro dá resultado! Não fui eu que lha dei, mas os patos e o vento atirando-lhe os ramos contra a barraca tiveram o mesmo efeito e a prova disso é que as pernadas que foram mais maltratadas são as que têm maior quantidade de frutos, encontrando-se vergadas ao seu peso.

Claro que isto tem uma explicação mais técnica e o facto tem a ver com a circulação das seivas na árvore. Ao batermos no tronco ou nos ramos causando pequenos ferimentos, a árvore irá ter reações de sobrevivência fazendo uma mais rápida circulação das seivas, tanto ascendente como descendente. Assim, o limoeiro entrará rapidamente na fase de produção para garantir a continuidade da espécie criando descendência (sementes).

Atualização em 2 de Março de 2014:




A história deste limoeiro continua muito atribulada e agora foi atacado por uma doença provocada pelo excesso de humidade, devido a este inverno que tem sido extremamente chuvoso. Fui a uma loja agrícola à procura de um produto para combater esta doença, mas, segundo me foi dito, não valia a pena fazer qualquer tratamento porque era devido ao excesso de chuva e também não tinham nenhum produto adequado. E também fui informado de que esta maleita se tinha alastrado não só nos limoeiros, mas também nas laranjeiras, estando muitos proprietários deste tipo de árvores a queixarem-se deste problema. Embora tivesse duvidado da não existência de um remédio para ajudar a debelar esta doença, achei que, provavelmente, era melhor não fazer nada do que estar a gastar dinheiro em vão com um produto que poderia nada resolver, como tantas vezes acontece.

Por enquanto são apenas os ramos inferiores que estão afetados, precisamente os que estão mais abrigados, ficando a aguardar que o tempo melhore, com a esperança de que a árvore resista a mais esta provação.   
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4 comentários :

  1. Olha isso meu amigo, sabe que estava mesmo a lhe perguntar sobre o limoeiro. O meu pequeno deu muitas flores e essas vivaram limões , mas todos cairam ainda bem pequenos, não vingando nenhum. Mas , eu limoeiro é um filhote ainda... acho que não teria coragem de bater no coitadinho. Nem quando grande, assim como voce.
    Mas olha isso, por engano minha mãe cortou, toscamente, uns galhos fininhos de uma amoreira que estava crescendo no quintal da casa dela, ou seja, fez uma poda sem nenhum cuidado pensando que era algum tipo de mato qualquer... quando ela percebeu que era a 'minha' amoreira que estava lá ela parou... e toda preocupada me contou. Fiquei tão chateada na hora, a árvore começou a nascer lá por causa dos pássaros e, magrinha e feia já deu várias amoras pequenas e docinhas... fiquei muito triste mesmo!
    Surpresa foi ver que duas semanas depois a árvore cresceu em altura 3 vezes o tamanho que estava e com troncos grossinhos agora... acho que a tal coça funciona para todas e não só para o limoeiro!
    Acho que vou cortar umas folhinhas para ver o que acontece, tem tempo ideial para fazer isso? Estamos no verão aqui e esta bem quente e muito sol, o que acha?
    Beijinho meu amigo e uma ótima noite de ano novo, excelente ano vindouro à toda família!
    Cintia

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    1. Nós aqui, normalmente, podamos as árvores no inverno que é quando a circulação da seiva se encontra parada. Brevemente irei iniciar a poda das árvores da minha chácara, mas creio que no Brasil a altura para fazer esse trabalho só deve acontecer daqui a seis meses. Por isso acho que não deve podar já a sua amoreira, no entanto se for só para tirar algumas folhas não deve ter problema.
      Beijinhos e um Bom Ano Novo para si e para toda a família.

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  2. Caro José.
    Também o meu limoeiro foi atacado por esse problema e os limões apodreceram todos na arvore.
    Em janeiro colhemos tudo para não estar a pesar mas a pobre arvore ficou mesmo doente e acabou por morrer.
    Um limoeiro que à quase 10 anos dava limões para toda a familia, acabou por morrer por excesso de agua.
    Podei toda a rama e na esperança, deixei os troncos mais grossos... pode ser que voltando o calor em força, ele volte a ficar coberto de folhas.
    espero que o seu esteja de boa saude :)

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    1. Olá! Obrigado pelo comentário.
      Com a chegada do tempo mais seco o meu limoeiro melhorou, encontrando-.se agora de boa saúde. Os frutos da parte mais alta da árvore mantiveram-se sãos, só tendo apodrecido os que estavam nos ramos mais baixos. Já tem limões novos, mas a produção este ano vai ser pequena.
      As restantes árvores de fruto que tenho no mesmo terreno e que incluem uma laranjeira, estão quase todas carregadas de fruto, vamos lá a ver se não se estraga.

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